Estava a escrever algo. Longo, irrecuperável. Essas cousas. E eis que perco tudo. Aí que pensamos que o último segundo é mesmo irresgatável e isso nos faz ser como uma canção nauseabunda. “Ad nauseam”. Gosto desse termo. Pior que gostava do que escrevia. Às vezes gosto. Às vezes simpatizo. Mas sequer rememoro do que se tratava.
Dizia eu ser ano bom, ano do senhor. Não poderei reproduzir. Já é outro o momento. E creio que seja esse momento já apático e desfigurado.Mais do que outro.
Mas eu dizia que as banalizadas sementes do vir-a-ser são realmente já desgastadas. E que no meio de tudo isso, dessa sensação outonal, desejo senão a nulificação, esse termo, essa coisa nominada parida por oposição de algo: O tudo. Mas eu dizia simpatizar com imanências.E com imperativos categóricos. E moços cujas carnes não foram bem-vindas e que, não sei porque, seus nomes vêm a mim numa tarde sem refresco.Como almejados musgos, desses que comovem e exasperam.
Falava eu de eterno retorno? Da tristeza de ser mera repetição de dores várias e de ter nas veias milênios de impudicícias e torturas e curiosidades? É perigoso carregar no olhar sensações milenares. E não ser mais que uma repetição. E reverberar, e me dobrar como sinos, incontinenti.Que o nulo é condição sine qua non do que é tudo.
Pudera não ser retrato repetido! Viver novamente, novamente, novamente....Falar novamente, bestialmente. Entorpecer-me de tanto sentir. E lamentar tais sensações, desgraçadamente.
Eu falava do sabor do tempo? Desse poder misterioso, o de dulcificar? Que o tempo nos ensina a degustar, a saborear? Que amo o que é acérrimo tanto aquilo que é doce?Que estou com dó das palavras irremediavelmente perdidas? Que me chegam agora dó daquilo q é irremediavelmente perdido? Oh, que experiência paupérrima.
Dizia que já não sei do que me poupar e o que alimentar?
Mas o que dizia eu sobre os mistérios? Os mistérios....agostinianos? As imprecações e o sabor daquilo que é mudo... As certas coisas que não se dizem?O ato meditabundo do mistério. Eu falava que isso me intrigava.E mitigava como sol; Eu falava de meu ar meditabundo e distraído. Não do meu, acho. Dos outros milenares que moram em mim.
Falava eu das multidões que se tocavam, meditabundas?Tb?
Que voltei devagarzinho, não sei pra donde? E que o mundo possa me ser por vezes prenda a ser descoberta?
Almadiçoava o fato de ser tudo texto? De ser tudo leitura? De eu ser senão o olhar que me é pousado? De não me saber dizer e por isso dar de ombros, sem sossego?Disseram-me “Tu és aquela que sabe contar”. Amaldiçoaram-me. Sou aquela que sabe contar. Antes eu não fosse uma exposição. Antes não me derramasse. Antes o silêncio me bastasse. Antes me coubessem as coisas. E não transbordassem sem veracúndia. Antes fosse algo que se pudesse reter! E conter! Antes não fossem as idéias filhas e eu não injetasse, em desarmonia, mensagens de anunciação. Antes houvesse harmonia entre céu e terra. Antes pudesse eu ser verdade contida. Antes os olhos não fossem livros. E as sensações sarças.Antes não se solfejasse nomes e não houvesse linguagem.
Entre as multidões inquietas agora desejo placidez de águas que não são mais navegadas.
E , ah!Antes fosse eu segredo que não se ressoa e se perde entre horas tantas não observadas. Como disse uma vez, o que mata um jardim é o olhar de indiferença sobre ele. Mas sempre ele, o olhar, pouso que inquere. Pouso que desnuda. E lê. Caráter de individuo. A única coisa que apazigua o só é o olhar. Não é à toa o amor ao olho de Deus. Que é só a ânsia do olhar que ama. Olhar amantissimo. Ou mesmo que pune severamente.Oh! Pudera não ser coisa a ser olhada, encarecida! Pudesse ser nada! Pudesse não ser condição sine qua non do tudo! Pudesse haver mistérios que não se sondassem!Mas as coisas retornam e faz-se o mistério da anunciação.E vou, passo a passo, até me dissolver em qualquer foz. Olhando e sendo olhada. E cansada de máximas.Gosto, porém, das falências do nominar...Mas palavras são filhos pródigos. E Enquanto não durmo sem essa possibilidade- a de acordar, sangro desesperada feito hemorragia.





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