Vexando-me


12/01/2006


Serenata

Serenata

Oh! Lua branca de fulgores e de encantos
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo
Vem tirar dos olhos meus o pranto
Ai! Vem matar esta paixão que anda comigo.

Ai! Por quem és, desce do céu, oh! Lua branca
Essa amargura do meu peito... Oh! Vem, arranca
Dá-me o luar da tua compaixão
Oh! Vem, por Deus, iluminar meu coração.

E quantas vezes lá no céu me aprecias
A brilhar em noite calma e constelada
A sua luz, então, me surpreendia
Ajoelhado junto aos pés da minha amada.

E ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo
Ela partiu, me abandonou assim
Oh! Lua branca, por quem és, tem dó de mim!
(Chiquinha Gonzaga)
 
*Voltando aos suspiros, aos leques, aos lenços caídos, aos passos miúdos, pesarosos...E esperando o reino dos sonos.

Escrito por A menina do lado às 02h06
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11/01/2006


Sobre este benedicto blogue

Muito relutei em tê-lo....Por dó de minha mão e pelo cansaço de manuscrever optei por ele. Se as primeiras postagens são estranhas(as datas) é que eu me valia sempre de bom e velho word. Postei tutto de uma vez.

Nada mais a declarar. Cousa de gente importante.

Agora hei-de de me juntar aos pardos e aos subumanos, em suplícios....Com ar de fastio de um Humphrey Bogart. Falta-me um charuto.

Mesmo quando perco a classe eu posso imitar Charles Bronson e dou cabo a vcs todos com minha magnum 44.

Humanos, morrei! Pangaraves, calai!

Escrito por A menina do lado às 19h51
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08/01/2006


Sobre as queixas gemebundas

Canso-me por vezes do peso histórico feminil nas letras.. Como se a feminilidade fosse mais um aspecto histórico-sociológico  que compõe a obra literária. Que compõe a sua derme, além da epiderme decodificadora. Além do totum literário em que fazemos a fusão forma +conteúdo+relativização histórica da obra, há de haver também o quesito "femino". Como se mulheres escritoras fossem éguas paridas abrindo o berreiro, bestialmente. Gemedoras genuflexas. Vitimas de tortura. Essencialmente mulherzinhas, no sentido pior dessa palavra. Como se lhe aprouvesse a afirmação de seu sexo e os pedidos já demodées de liberdade com refrões vulgares e impropérios contra a banalização de seu corpo esburacado, reprodutor, depósito de sêmen,  o meio do qual vêm, de facto, os seres. Um ser feito de uma mera costela. Que sequer recebeu o sopro divino. E tal e tal e tal.
Antes fosse a escrita feminil incluída na universalidade. A superação do individual, de seu vitimismo histórico e ar coutado lutador, que com "fibra" se impõe na descoberta dos direitos.
Oh, a passionalidade é universal. Dores de amor são universais. Mesmo os buracos físicos e existenciais são universais. E que junte-se a isso a possibilidade  de florear, évidemment
Se somos mais dadas ao amor, que seja por gosto e amor ao viço. Mas àquelas que fomentam um estereótipo, e que criam uma linguagem "feminina", e que acham que a tortura, o escrever sob  tortura, é essencial da alma feminina, e não fructo circunstancial de seu estar no mundo, eu aconselho aos aiotalás que lhe pratiquem a infibulação.
Chega de sexismo. Phoda-se. Vão pra lá com a "arte de gemer feminina". O escrever sob tortura que comumente nos circusncreve não é de essência, mas de circunstância. E que se pratique o universal. Chega do ideário da "construção da identidade feminil". Isso é uma afronta. Se há muiherzinhas doridas é porque produziram sob cerceio histórico. Não é natural. Chega da defesa do "feminino". Um viva ao universal. Não, eu não creio em igualdade, mas creio nas sensações universais, a despeito do sexo.
Mas a insistência estúpida-feminil em se assertar como "feminino" dá-me cousas. Fico a pensar, de facto, que a diferença sexual existe, e que meu sexo que faz tanta questão de ser estereotipado pertença mesmo àqueles seres meros receptores reprodutores que lutam por direito de "igualdade", mesmo trabalhando a "diferença". Engraçado que a tal diferença proclamada objetiva a igualdade.
cazzo!!!!
Homens, dominai essas castradas pacóvias! Aplicai a infibulação! Disseminai nelas, grosso modo mesmo! São umas antas.
E não me odeiem por usar ceroulas.
Sim, eu escrevo muitas vezes sob tortura, e sou derramada, e amantissima,e muitas vezes, fria como a frialdade.Sim, eu tenho refrões. Sim, sou escrava da visão sociológica do meu sexo(Não que isso faça parte de minha natureza). Sim, por vezes sou pássaro de asas cortadas, com horizonte perdido. Minha escrita às vezes é lenta. As palavras são saboreadas, degustadas. Sim, eu cozinho. Na cozinha aprendi sobre olores, sabores. Sofrendo aprendi sobre as lentidões. E as brevidades indevidas(O que é bom deforma o tempo).Sim, eu oiço Händel. Desejo suspirar a liberdade. Reclamo o direito de chorar. Ponho meus orgasmos múltiplos nas palavras. Escrever é experimentação orgástica.
Mas isso não é feminil: Isso é universal. Isso é o individual circunscrito ao universal.
Para as antas feministas: gemei!
 

Escrito por A menina do lado às 18h06
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Magister dixit

Percebo que mesmo nas culturas árabes os romances não podem mais ser chamados de místicos, mas laicos. Falando cá do mistiscimo em seu sentido mais lato, como qualquer menção metafísica relacionada ao teológico.E então eu observo essa cisão, esse desvencilhamento entre arte e Deus. Sendo que as primeiras manifestações artísticas tinham o escapismo artístico do divino. Mesmo o profano(que se fazia) era o oposto do toque divino. Deus tocava o homem artisticamente. Forma de superação mundana. Se hoje temos o existencialismo e as revoluções que nos incitam as superações e atuam como entendimento, o homem antigo possuia o fantástico, o divino como superação. Deus deixou de ser estético. Deus deixou de existir artisticamente no ideário de superação humana.

Não sei se isso faz parte da evolução. Mas o desencantamento do mundo também já chegou ao Oriente. Não, não sou contra o desencantamento do mundo. O desencantamento do mundo pode ser a solução, como descreve Artaud. Reação madura e amarga contra a apostasia. O epifânico contido no desencatamento é de algum modo superior ao êxtase da solução divina. Já dizia Adorno sobre a maturidade do desencantamento em relação ao êxtase místico em sua Dialética do esclarecimento. Como a criança que sai do imaginativo prazeroso para começar a viver (mesmo os recalques) da presença física das coisas, o lidar com elas. O estar no mundo. Ser partícipe das leis mundanas. Aprender sobre o ceder. Sobre as questões ontologico-metafísicas.

De todos os modos o mistiscismo permanece camuflado.A autoridade que o discurso místico pressupõe, mote para a moral(o daquele que tem o contacto direto com o divino), foi prontamente substituído por criações laicas, mas ainda permeados pelo moralismo divino, como o Direito, o mercado, a burocracia, novos princípios que regem os o homem moderno. Mas ainda há nisso tudo o divino "Magister dixit" camuflado. Mesmo que seja a razão divinizada, como fizeram os esclarecidos.

Mas é fato que Deus sumiu na arte, só aparecendo como manifestação sociológica da religião.

Isso me faz lembrar de "o sétimo selo". Que seja riqueza interpretativa minha, não sei...Mas gosto da temática do desespero do abandono de Deus e do nihilismo presentes nessa pequena chef d'oeuvre. Trata do desespero de uma Era em que não se pode ter mais fé. Deus sumiu do horizonte. Diz o cavaleiro "É preciso que haja algo lá".

Mas ainda nos exaspera o reino absoluto da morte.

Escrito por A menina do lado às 15h31
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Cultura árabe

Gosto, mas sem paixão.

Gosto do sigilo profundo contido nessa palavra " Gosto". Também gosto da obtuosidade sugerida que reside nela.

Sorri rindo hoje de um jogador de RPG com anseios de fisiculturismo...:)

 

Escrito por A menina do lado às 15h03
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Amor é dor

"Cintilar de estrela fria

Lua em sorriso triste

Toma meu olhar noturno

Mais vago que tudo o que existe.

Atravessa mil caminhos

E deixa-te um beijo invisível

Vindo de lábios distantes,

Das veredas do ainda impossível"

Porque a natureza do amor é antitética. às vezes amar é algo sumamente triste. E às vezes nos faz verter lágrimas de felicidade. Ora é aprazível sua feição de braços amáveis,  como a carícia de um sombrero...Ora não desejamos senão a violência do ardido  sol. O rebentar de nosso ardido peito...

às vezes amor é sede de água. às vezes é sede de areia.

Escrito por A menina do lado às 14h51
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