Canso-me por vezes do peso histórico feminil nas letras.. Como se a feminilidade fosse mais um aspecto histórico-sociológico que compõe a obra literária. Que compõe a sua derme, além da epiderme decodificadora. Além do totum literário em que fazemos a fusão forma +conteúdo+relativização histórica da obra, há de haver também o quesito "femino". Como se mulheres escritoras fossem éguas paridas abrindo o berreiro, bestialmente. Gemedoras genuflexas. Vitimas de tortura. Essencialmente mulherzinhas, no sentido pior dessa palavra. Como se lhe aprouvesse a afirmação de seu sexo e os pedidos já demodées de liberdade com refrões vulgares e impropérios contra a banalização de seu corpo esburacado, reprodutor, depósito de sêmen, o meio do qual vêm, de facto, os seres. Um ser feito de uma mera costela. Que sequer recebeu o sopro divino. E tal e tal e tal.
Antes fosse a escrita feminil incluída na universalidade. A superação do individual, de seu vitimismo histórico e ar coutado lutador, que com "fibra" se impõe na descoberta dos direitos.
Oh, a passionalidade é universal. Dores de amor são universais. Mesmo os buracos físicos e existenciais são universais. E que junte-se a isso a possibilidade de florear, évidemment
Se somos mais dadas ao amor, que seja por gosto e amor ao viço. Mas àquelas que fomentam um estereótipo, e que criam uma linguagem "feminina", e que acham que a tortura, o escrever sob tortura, é essencial da alma feminina, e não fructo circunstancial de seu estar no mundo, eu aconselho aos aiotalás que lhe pratiquem a infibulação.
Chega de sexismo. Phoda-se. Vão pra lá com a "arte de gemer feminina". O escrever sob tortura que comumente nos circusncreve não é de essência, mas de circunstância. E que se pratique o universal. Chega do ideário da "construção da identidade feminil". Isso é uma afronta. Se há muiherzinhas doridas é porque produziram sob cerceio histórico. Não é natural. Chega da defesa do "feminino". Um viva ao universal. Não, eu não creio em igualdade, mas creio nas sensações universais, a despeito do sexo.
Mas a insistência estúpida-feminil em se assertar como "feminino" dá-me cousas. Fico a pensar, de facto, que a diferença sexual existe, e que meu sexo que faz tanta questão de ser estereotipado pertença mesmo àqueles seres meros receptores reprodutores que lutam por direito de "igualdade", mesmo trabalhando a "diferença". Engraçado que a tal diferença proclamada objetiva a igualdade.
cazzo!!!!
Homens, dominai essas castradas pacóvias! Aplicai a infibulação! Disseminai nelas, grosso modo mesmo! São umas antas.
E não me odeiem por usar ceroulas.
Sim, eu escrevo muitas vezes sob tortura, e sou derramada, e amantissima,e muitas vezes, fria como a frialdade.Sim, eu tenho refrões. Sim, sou escrava da visão sociológica do meu sexo(Não que isso faça parte de minha natureza). Sim, por vezes sou pássaro de asas cortadas, com horizonte perdido. Minha escrita às vezes é lenta. As palavras são saboreadas, degustadas. Sim, eu cozinho. Na cozinha aprendi sobre olores, sabores. Sofrendo aprendi sobre as lentidões. E as brevidades indevidas(O que é bom deforma o tempo).Sim, eu oiço Händel. Desejo suspirar a liberdade. Reclamo o direito de chorar. Ponho meus orgasmos múltiplos nas palavras. Escrever é experimentação orgástica.
Mas isso não é feminil: Isso é universal. Isso é o individual circunscrito ao universal.
Para as antas feministas: gemei!