Vexando-me


04/02/2006


Ando mulherzinha demais, credo! Repetitiva! Que desgosto! Que sensaboria! Ai, pudesse me descarnar! Ou rememorar minhas perversões...Ser algo supinamente ridículo. Sem éter, sem névoas, sem mágoas cá dentro, sem me descorar. Pudesse voltar a ser vez em quando viperina e cruel e tantálica. Ando por demais emasculada. Oh, que quero dar chibatadas! hohoho! Que a tempestade fosse além das ânsias uterinas...

Mas, ao menos, minhas águas não andam paradas. É terrível toda paragem que não nos possa violentar.

Meu cérebro se perdeu por aí. Sou uma coutada. Et tout casse, tout passe, tout lasse...

Ciel!!!!!!!!!

 

Se do grunhir vigorasse algum palavreado que sobrepujasse a parvenu.:)

 

Escrito por A menina do lado às 13h07
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Fiat lux

A  tua presença que me deixou o tenro sabor. Tu que vieste e te foste. E há a sombra do teu gosto. A lembrança se esvaindo. Mas ela fica, retrato de minha alma esfaimada. Esse desejo do puído(a lembrança é o desejo puído) faz-me ver o quão andrajosa sou. Mas esse pouco, eu desejo. Esse pouco me quer.Amo-o, rota que sou. Mas não o amo tanto quanto o amava. As badaladas do relógio a ganhar sentido. Foram quantas? Quantas me deixaram notar a agonia?Quando hoje,  tu eras a chuva a cair lá fora.Eras a chuva .Aquele alumiar débil do quarto, eram como teus olhos. Clareando. Às vezes do escuro gostava ser clareada.

Escrito por A menina do lado às 11h17
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Sobre a miséria

São dous os tipos de miseráveis....

Aqueles que passam fome.

Aqueles que fazem com que outrem passe fome.

De todo modo, vive-se sobranceiramente esses dous tipos de miséria(malditas altercações da vida, essa face algoz, essa face vítima), mas avalia-se uma persona pelo grau de prazer com que se vive sua miséria.

Vivo minha dúplice miséria com temperança.

Escrito por A menina do lado às 10h58
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Algumas vezes com tanto lirismo deixei que me despissem do véu que me encobria. A face nua para se dar. Algumas vezes me despi do véu que me protegia o corpo toda vez que tu pedias...Vês, como retiro?

Mas depois de tudo faz-se frio...Oh, faz frio...E não me abraças...Faz tanto frio. E que caminho penoso encontrar o retorcido fogo, tão amargo consolo que mora dentro de mim.

Escrito por A menina do lado às 10h50
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Tangerinas e Madeleines

Há dias em que há tanto...Oh, que o farto olor de tangerina em meus dedos inebria. Os gomos engolidos com delicadeza. É tão doce. Há dias em que sugo o dedo com espanto. Sinto a vida escorrendo em forma de sumo. E isso me basta.A vida sentida à boca,e isso me enche de uma íntima alegria. Mais que madeleines proustianas. Não é sequer a memória sendo resgatada. Não é  só memória olfativa--gustativa(Que essa me faz ter 5000 anos. Põe-me num mar embaraçado, num navio). É simplesmente a sensação de estar viva, e haver sabores . Ser desse mundo. De que modo grácil por vezes sorvo devargazinho um xícara de chá verde. Gole por gole. O branco chocolate, engolido pedacinho por pedacinho. O leite com mel tomado pela manhã.

De algum modo assim sorvo as paisagens. A liberdade tem sabor de tangerina. Meu verde coração dissolvido numa xícara cheia de infusão olorosa. A incauta infância na fragância melíflua no copo.E desmancho-me junto ao chocolate.

Oh, eu estou aqui.Que saboroso. Que perfumado. Estar. Eu sinto tudo. Sinto-me.E isso me basta. E as sensações  são como portas me trazendo a imensos corredores.

Escrito por A menina do lado às 10h42
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Je chante...

de Aout à où
la nuit le jour
j'attends j'écoute
mais coûte que coûte
c'est toi qui descends du firmament
j'ai tout mon temps
j'ai peur je doute
je pleure et j'm'embrouille
mais mon coeur me voue
à être meilleure en tout
pour toi qui descends du firmament
j'ai 5000 ans
sous l'ampleur de la voûte
mon bonheur se camoufle
s'étire et se retourne
pour l'arrivée du tour
oui toi qui descends du firmament
décidément
si toi tu m'entends du firmament
je t'aime tant

(Firmamant, par la gracieuse Vanessa Paradis)

Escrito por A menina do lado às 10h11
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Um amigo brilhante

Em cada sentimento meu
Tem um espírito ateu...e uma alma reencarnada
Um orgulho plebeu...e uma nobreza calada
Uma certeza nítida...em eterna dúvida
Um cruel bandido...e um anjo perdido
Um livro aberto...e um segredo guardado
Um futuro incerto...e um imenso passado
Um destino certo...e um projeto abandonado.

Em cada sentimento meu
Tem um sentido...e um rumo inexistente
Um desejo contido...e um medo persistente
Uma vontade que desiste...e uma esperança que existe
Um desencanto...e um contentamento
Um amigo santo...e um demônio atento
Uma inteligência sólida...e ingenuidade
Uma demência mórbida...e serenidade.

Em cada sentimento meu
Tem uma contradição...e uma lógica sem chão
Um desânimo juvenil...e um desabafo senil
Uma harmonia...em confusão
Uma agonia...e uma razão
Um colapso vulcânico...e a calma de um lago
Um pânico...e um afago
Um verso doce e amargo...que se intrometeu
Em cada sentimento meu.
( Em cada sentimento meu / Roger Jones

Escrito por A menina do lado às 01h13
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02/02/2006


Je t'aime tant

Tu me suis, tu me souris, dans la nuit tu me séduis
Je sais que tu sais que je ne sais plus qui je suis
Je t'aime tant je t'aime tant, pourtant.
Comme le temps qui passe et ment, j'attends.
Toujours perdante tu me tourmentes
Et tes désirs me prirent pour me détruire
Je prends un certain plaisir a souffrir
A me punir, a me repentir.
Toujours soumise, tu me méprises, tu me rejettes, tu me maltraites
Douleur et désir sont synonymes de mon plaisir
Je m'abandonne aux hommes sans souci ni tourment
Je me suis perdue sans retenue pour un jeune homme
Un peu hors de la norme
Tu me cherches, tu me guettes, tu me tiens et je me sens bien
Tu me prends si lentement, je désapprends
Puis tu me rends au mon tourment
Je serai ce qui te plait la lumière sur ta peau
Celle qui attend a ta porte
Et celle qui? peu importe, je serai ce que tu veux
La sueur sur ton front, la brise dans tes cheveux
Ou celle qui te brisera le cou
Je te souris, je te nuis, je t'aime, je t?aime
Je te détruis, je te tiens et tu viens
Tout est bien qui finit bien
Tu sais que je sais que tu ne sais plus qui tu es
Depuis que tu t'adonnes a nos petits jeux hors de la norme
Je te plais, tu me plais
Nous sommes les amants du tourment
La nuit nous tuons l'ennui, l'amour toujours nous suit
L'amour toujours nous fuit, l'amour toujours nous détruit
Comme la pluie et l'oubli comme des cris dans la nuit
Je t'aime tant je t'aime tant pourtant.

TRADUÇÃO:

♫ Amo-te tanto ♫

Segues-me, sorris-me, na noite me seduzes
Eu sei que tu sabes que não sei mais quem eu sou
Amo-te tanto, amo-te tanto, no entanto.
Como o tempo que passa e mente, eu espero
Sempre derrotada, atormentas-me
E os teus desejos possuem-me para me destruírem
Tiro algum prazer em sofrer
em me punir, em me arrepender.
Sempre submissa, desprezas-me, rejeitas-me, maltratas-me
Dor e desejo são sinónimos do meu prazer
Abandono-me aos homens sem preocupação nem tormento
Perdi-me completamente por um jovem rapaz
Um pouco fora da norma
Procuras-me, vigias-me, abraças-me e eu sinto-me bem
Prendes-me tão lentamente, desprendo-me
E depois devolves-me ao meu sofrimento
Serei aquela que te agrada, a luz sobre a tua pele
Aquela que espera à tua porta
E aquela que... pouco importa, serei quem tu quiseres
O suor no teu rosto, a brisa nos teus cabelos
Ou aquela que te partirá o pescoço
Sorrio-te, prejudico-te, amo-te
Destruo-te, tomo-te e tu vens
Tudo está bem quando acaba bem
Tu sabes que eu sei que tu não sabes mais quem és
Desde que te dedicas aos nossos pequenos jogos fora da norma
Agrado-te, agradas-me
Somos os amantes do tormento
À noite matamos o aborrecimento, o amor segue-nos sempre
O amor foge-nos sempre, o amor destrói-nos sempre
Como a chuva e o esquecimento, como os gritos noite adentro
Amo-te tanto, amo-te tanto, no entanto

 

Par Julie Delpy(Oui, oui, oui...Elle chante...Et bien!)

Escrito por A menina do lado às 12h16
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31/01/2006


Sustento

Acho que é das fragrâncias que tiro meu sustento...

Escrito por A menina do lado às 21h52
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Do ontem sobre Mann

Coisa que postei pra Yukio ler..Há muitos meses. Caso esteja lendo, beijo terno, querido. Oh, eu o adoro...Que saudade imensa de você.

Hoje recomecei( que coragem!) a ler "A montanha mágica". É, por certo, imenso, mas valioso. A melhor obra de Mann, comparando com outras que já li. Disseram-me ser ele um escritor para "mulherzinhas" ontem. Parvoíces têm limites. Inslusive minha paciência com as reduções grosseiras, ecoadas com humor mórbido.Ao ouvir "death in Venice", de Mahler, e dizer que a melodia me remetia à paz agônica, contraditória do olhar do escritor a Tadzio, fulminado por sua inocência perversa, ante o imenso mar moribundo, fui chamada de "ridícula" e convidada a estudar música, pela mesma pessoa que chamou Mann de escritor para mulherzinhas. Ora, não deixo de rir. O academês corre às pampas.Por isso eu sei que é assim, a música é, antes de saber que é... Não é justo que alguém precise conhecer música para entendê-la ou senti-la.. sentir é sentir!Não sou melômana. Sou uma intuitiva. Eu gosto de Mahler, tive acesso. Ele me comove. Não ser melômana faz de mim um ouvido grosseiro, afeito tão-somente à música rápida?qual o sentido da música, enfim? os sentidos se perdem em complicações. Os seres humanos e suas construções portentosas! A construção se sobrepõe ao sentido primevo. Também a música virou espaço para embates intelectualóides. Isso me enfada.

Ainda acho que "death in Venice" é próxima da morte. Morte agônica, mas suave. E não sou melômana. Eu sou melômana intuitiva.

Escrito por A menina do lado às 11h15
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