Vexando-me


11/02/2006


la pietà

De quando em quando não sei o que fazer com a enfermidade que meus olhos trazem.A piedade como uma ternura que corrói. Um cinismo sacro. Esse sabor agridoce das coisas complexas. De todo modo tenho a febre do mundo dos meus olhos, tenho todas as doenças nos meus olhos. Não só por vê-las, mas principalmente por sê-las. É agridoce, asism como todo o delírio. O dó da dor é se tornar a própria dor? Será simpatia amara pelo que é fraco? Será a superioridade implícita no ato de apiedar-se?

Poderia lhes falar de uma lívida criatura abandonada num banco, ar de musa romântica clorótica, a tossir sangue até se esvair, mas não(Eu teria um ar sofisticado e monótono), então eu só suspiro...Para q eu tenho de facto um ar pusilânime.

E dizem, dizem "Ich brauche Liebe.Ich bin so wild nach deinem Erdbeermund". Pois alguns amam François Villon. E nisso reside  uma risada trágica: De minha autopiedade.E que creio que esta seja imorredoura.

Já pensou as balzacas virgens desoladas de hanry james? Ou caricaturas devassas?Ai, e nem tentem analiasar os meus botões...

Escrito por A menina do lado às 16h28
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08/02/2006


O rio a correr dentro de mim

Buco-te

Parto ao teu encontro

Antes que o rio seja cinza

Buscando algo que perdi e não sei

Caminho aflito

Luar por beijo

A doce água do teu sangue vertido

O colo concreto do teu leito

Busco, num desatino

O submerger como desejo

Submeter-me

Ao que tens de vivo

As tuas águas calmas

Contra meu choro antigo

Busco, partindo

Com um rio a correr dentro de mim

Escrito por A menina do lado às 18h48
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