O cansaço é reticente...
Contudo, insisto em dizer que a vida é ingrata. E consolo-me com o cru de minha boca. O lento. Seja o respirar Ou a cadência dum tango perdido, fruto não sei bem de qual coração despedaçado. O cansaço é sumamente moribundo.
Se pudesse por minhas mãos no rosto, escondê-lo. Ser tolazmente infantil. Rir dos anos.Ou mesmo dizer algo que merecesse reverência. Ou me fazer estátua perenea,além dessa angustia repetitiva de ser uma estátua de sal.
Oh, há Samuel Barber em mim...Só a música para expressar essa profunda bestialidade desprovida de sentido. A música é a linguagem do absurdo. E as minhas paixões se voltam para o absurdo.
Se minha carne estivesse feliz estaria eu cá a chorar? Eu me ressentiria de meu corpo que mais parece presépio a abrigar cordeiros? Oh, Deus...Fazer alguma maldade. Causar qualquer coisa de tenebrosa enquanto não parto. Ser carne, carne, carne. É só isso que importa. Ser carne animada. A alma é o tempero dos sentidos. Sentir os sentidos bestiais.
Fazer agora minha carne feliz. Maltratar algum coração. Dar de comer ao meu ego. Despir-me da roupa que me santifica. Ser a imprudente santa nua. Ter a grandeza que só as santas nuas têm. Pecar, o sabor de pecar. Cobrir-me de sangue. Noivar com as chamas. Noivar com o vento
Mas é noite e tenho que me por no cabresto.