Essa realidade febril, faminta
Essa boca crua, em sangria
Depois dos teus olhos
feridos como asas partidas
Somos agora
Borboletas de dolência
De hemorragia sem cura
Somos a ausência
Essa realidade febril, faminta
Essa boca crua, em sangria
Depois dos teus olhos
feridos como asas partidas
Somos agora
Borboletas de dolência
De hemorragia sem cura
Somos a ausência
Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós
(E depois do adeus, por Paulo de Carvalho. De José Niza)
A despeito das sanhas da sorte e das simbologias que permanecem como se fosse o instinto besta besta de viver( Há pouco ri da macaquice da moderna liberdade de expressão), a cor azul é recompensadora...É digna de uma lista de coisas belas de Sei Shonagon (Não liguem para meu ar zen...Deve ser o cansaço se despedindo e o umbiguismo arfando por prazer).
Mas, ah, a cor azul esconjura a morte...(Não que eu apreciei cromoterapia, aromoterapia. Mas as sensações e percepções é que me tem mantido dizem, "dignamente" inteiriça, anunciando primaveras como num frontispício adornado...rs).
Pois bem, mas no azul experimentei o esquecimento e insuflei demoras...No azul, há abandonos e regressos.
A cor azul é um consolo. Uma constante, mas, também, uma paragem intensa e breve. Onde pouco importa se alguém precisa de meu nome, se há algo, de facto, a ser solfejado...
O azul vai além da liberté...:)
Como sempre digo, estética é preciso.
A revolução
Camus dizia que qualquer percurso revolucionário terminava sempre em opressão ou em heresia.
Bah, o dia, o dia...Pleno de espartos e giestas...
O dia em que contemplo minhas pálidas mãos..Que tateiam o escuro de certo corpo...Frementes...
Há um mar nas minhas mãos...
Salvo engano há termo para atividades de sábado...
Pous bem, é sábado. De repente vi-me eu e os comigos de mim aprumados para um chá da tarde. De jasmim. É sábado. Que fazer com meu sábado, cá me pergunto. Estranha sensação perdida: ter-me. Penso que estou apenas demasiado fatigada...Um sábado, essa oportunidade de diferença, entre os outros dias que me tem sido tão repetitivos(Oh, não por escolha...Quem me conhece o deve saber...).
Marx falava sobre a necessidade do pão, antes de qualquer idéia. A ausência do pão daria por combalir as idéias(Ou fomentá-las, qem sabe...Veja só a raiz dessa palavra). Já não o sei. Mas se for pra alimentar quaisquer idéias, que seja a lembrança de Charlotte dando o pão às criancinhas. "Gentil" imagem cristã da repartição dos pães que causou lágrimas passionais em Goethe.
Não é a necessidade de pão que prefiro que agoura me mova. Mas a lembrança de Charlotte dando pão às criancinhas.
Mas é sábado...Manhã para passeios. Lembrei que sabia assobiar. Deve ser fraternal, assobiar na rua. Têm-me por douda(dessas passíveis de passeio na rua) ou afável.
Lembrei-me, pous, que sabia assobiar uma canção bonitinha tradicional do império do Meio que me foi ensinada em certas épocas quase adolescentes de início da faculdade por um jovem astucioso apaixonado por mandarim. Dahai, ou "Grande mar", em português.
Então, que experiência sideral assobiar tal canção num sábado...Assobiar a simplicidade dos aforismos orientais.Que o grande mar é nossa terra natal. Com seu vento a percorrer os Confins do mundo, mas sempre ao nosso lado.
Gostava poder encarar com essa simplicidade. Vida com aforismos é mais fácil. Mas pra quê facilitar, se posso a complicar?:)
Tradutori, Traditori...:)
Tb pensei que pudesse escrever no sábado...Mesmo cartas de sabor passadista...Mas descobri que minha letra anda por demais tortuosa, com um quê de tísica, de musa clorótica...E deu-me preguiça...
E blá, blá, blá...ad nauseam...;)