Vexando-me


15/07/2006


Infância

Sonhos

enormes como cedros

que é preciso

trazer de longe

aos ombros

para achar

no inverno da memória

este rumor de lume:

o teu perfume,

lenha da melancolia.

(Carlos de Oliveira, Cantata)

Escrito por A menina do lado às 19h15
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A descoberta

 

Acho que descobri que sou uma chata. E mais chata o suficiente para ver nisso razão de contentamento.

:)

Escrito por A menina do lado às 19h13
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Líricas portuguesas

Quantas vezes chorou no teu regaço
a minha infância, terra onde pisei:
aqueles versos de água onde os direi,
cansado como vou do teu cansaço?

Virá abril de novo, até a tua
memória se fartar das mesmas flores
numa última órbita em que fores
carregada de cinza como a lua.

Se a terra bebe as dores que me são dadas,
desfeito é já no vosso próprio frio
meu coração, visões abandonadas.

Deixem chover as lágrimas que eu crio:
menos que chuva e lama nas estradas
és tu, poesia, meu amargo rio.
(Soneto da chuva, Carlos de Oliveira)

 

 

Não conhecia esse poeta português, mas gostei bastante. Talvez por falar de chuva e lágrimas, duas coisas que eu vinha querendo nos últimos dias. Não consegui nem uma, nem outra. Mas ei, é uma questão de tempo, uma hora chove; sempre chove.

Escrito por A menina do lado às 19h11
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Canção

Já escuro e denso o rio da memória

flui e me entristece.

se acaso lembro que chorei

o que nem lágrimas merece.

 

Se acaso o sono oupa o coração

e o coração vive

já desalento

meu pensamento é tudo o que não tive.

 

Génio de longe, que voltaste a minha casa

quando menos cuidava.

nem eu sei com que versos me perdi

de tudo o que era bom e me cantava.

 

Foge, inimiga sombra, volve

à sombra antiga de que vens rumorejando:

e lá, pátria do esquecimento

seja olvidado o que me fores lembrando.

 

(Carlos de Oliveira)

 

 

Escrito por A menina do lado às 19h10
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Soneto

 

Acusam-me de mágoa e desalento,

como se toda a pena dos meus versos

não fosse carne vossa, homens dispersos

e a minha dor a tua, pensamento

 

Hei-de cantarvos a beleza um dia,

quando a luz que não nego abrir o escuro

da noute que nos cerca como um muro,

e chegares a teu reino, alegria.

 

Entretanto, deixai que não me cale:

até que o muro fenda, a treva estale,

seja a tristeza o vinho da vingança.

 

A minha voz de morte é a voz da luta:

se quem confia a própria dor perscruta,

maior glória tem em ter esperança.

(Carlos de Oliveira, Colheita perdida)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por A menina do lado às 19h06
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STRANGERS IN THE NIGHT

( Estranhos na noite )

FRANK SINATRA - 1966 [ TRAD 040 S ]

STRANGERS IN THE NIGHT

Éramos apenas estranhos

EXCHANGING GLANCES

Trocando olhares

WONDERING IN THE NIGHT

Pensando nas possibilidades

WHAT WERE THE CHANCES

Que podiam existir para que ...

WE’D BE SHARING LOVE

Compartilhássemos do mesmo amor

BEFORE THE NIGHT WAS THROUGH

Antes do fim da noite

SOMETHING IN YOUR EYES, WAS SO INVITING

Existia algo em seu olhar ... parecia um convite ...

SOMETHING IN YOUR SMILE, WAS SO EXCITING

Alguma coisa em seu sorriso ... era tão excitante ...

SOMETHING IN MY HEART

Algo em meu coração

TOLD ME I MUST HAVE YOU ...

Me disse que você devia ser minha

STRANGERS IN THE NIGHT

Éramos apenas estranhos

TWO LONELY PEOPLE

Duas pessoas solitárias

WE WERE STRANGERS IN THE NIGHT

Fomos estranhos, apenas estranhos

UP TO THE MOMENT

Até o momento

WHEN WE SAID OUR FIRST "HELLO"

Do nosso primeiro olá (alô)

LITTLE DID WE KNOW

Estávamos longe de saber

( *** ) LOVE WAS JUST A GLANCE AWAY

Que o amor estava apenas a distância de um olhar

A WARM AND EMBRACING DANCE AWAY

A distância de uma suave contradança (dança)

AND EVER SINCE THAT NIGHT, WE’VE BEEN TOGETHER

E desde aquela noite, estamos juntos

LOVERS AT FIRST SIGHT IN LOVE FOREVER

Amor à primeira vista, apaixonados para sempre

I TURNED OUT SO RIGHT

Deu tudo tão certo

FOR STRANGERS IN THE NIGHT

Para nós que começamos apenas como estranhos

 

Escrito por A menina do lado às 13h11
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10/07/2006


QUE SEREI?


"Serei uma cálida luz,
serei a manhã que desponta?
Serei uma bolha no ar
ou uma fonte que canta?
Serei espiga doirada
ou o verde capinzal?
Serei a águia altaneira
ou o irrequieto pardal?
Serei a lágrima que corre
na face do moribundo?
Ou uma mensagem secreta
de um atribulado mundo?
Em devaneios me perco.
E o que serei? Pouco importa!
São perguntas, eis a vida.
ESPERO RESPOSTAS.

Escrito por A menina do lado às 18h59
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09/07/2006


Da noite sem sol

Os olhos de noite, marejados, ébrios. Os elogios de um amigo dizendo que sou bela. E completo que sou triste.
Oh noite inconsolável em que sou alguma coisa esparramada, desmanchada pelo chão...

Escrito por A menina do lado às 18h40
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