Sonhos
enormes como cedros
que é preciso
trazer de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor de lume:
o teu perfume,
lenha da melancolia.
(Carlos de Oliveira, Cantata)
Sonhos
enormes como cedros
que é preciso
trazer de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor de lume:
o teu perfume,
lenha da melancolia.
(Carlos de Oliveira, Cantata)
Acho que descobri que sou uma chata. E mais chata o suficiente para ver nisso razão de contentamento.
:)
Virá abril de novo, até a tua
memória se fartar das mesmas flores
numa última órbita em que fores
carregada de cinza como a lua.
Se a terra bebe as dores que me são dadas,
desfeito é já no vosso próprio frio
meu coração, visões abandonadas.
Deixem chover as lágrimas que eu crio:
menos que chuva e lama nas estradas
és tu, poesia, meu amargo rio.
(Soneto da chuva, Carlos de Oliveira)
Não conhecia esse poeta português, mas gostei bastante. Talvez por falar de chuva e lágrimas, duas coisas que eu vinha querendo nos últimos dias. Não consegui nem uma, nem outra. Mas ei, é uma questão de tempo, uma hora chove; sempre chove.
Canção
Já escuro e denso o rio da memória
flui e me entristece.
se acaso lembro que chorei
o que nem lágrimas merece.
Se acaso o sono oupa o coração
e o coração vive
já desalento
meu pensamento é tudo o que não tive.
Génio de longe, que voltaste a minha casa
quando menos cuidava.
nem eu sei com que versos me perdi
de tudo o que era bom e me cantava.
Foge, inimiga sombra, volve
à sombra antiga de que vens rumorejando:
e lá, pátria do esquecimento
seja olvidado o que me fores lembrando.
(Carlos de Oliveira)
Soneto
Acusam-me de mágoa e desalento,
como se toda a pena dos meus versos
não fosse carne vossa, homens dispersos
e a minha dor a tua, pensamento
Hei-de cantarvos a beleza um dia,
quando a luz que não nego abrir o escuro
da noute que nos cerca como um muro,
e chegares a teu reino, alegria.
Entretanto, deixai que não me cale:
até que o muro fenda, a treva estale,
seja a tristeza o vinho da vingança.
A minha voz de morte é a voz da luta:
se quem confia a própria dor perscruta,
maior glória tem em ter esperança.
(Carlos de Oliveira, Colheita perdida)
STRANGERS IN THE NIGHT
( Estranhos na noite )
FRANK SINATRA - 1966 [ TRAD 040 S ]
STRANGERS IN THE NIGHT
Éramos apenas estranhos
EXCHANGING GLANCES
Trocando olhares
WONDERING IN THE NIGHT
Pensando nas possibilidades
WHAT WERE THE CHANCES
Que podiam existir para que ...
WE’D BE SHARING LOVE
Compartilhássemos do mesmo amor
BEFORE THE NIGHT WAS THROUGH
Antes do fim da noite
SOMETHING IN YOUR EYES, WAS SO INVITING
Existia algo em seu olhar ... parecia um convite ...
SOMETHING IN YOUR SMILE, WAS SO EXCITING
Alguma coisa em seu sorriso ... era tão excitante ...
SOMETHING IN MY HEART
Algo em meu coração
TOLD ME I MUST HAVE YOU ...
Me disse que você devia ser minha
STRANGERS IN THE NIGHT
Éramos apenas estranhos
TWO LONELY PEOPLE
Duas pessoas solitárias
WE WERE STRANGERS IN THE NIGHT
Fomos estranhos, apenas estranhos
UP TO THE MOMENT
Até o momento
WHEN WE SAID OUR FIRST "HELLO"
Do nosso primeiro olá (alô)
LITTLE DID WE KNOW
Estávamos longe de saber
( *** ) LOVE WAS JUST A GLANCE AWAY
Que o amor estava apenas a distância de um olhar
A WARM AND EMBRACING DANCE AWAY
A distância de uma suave contradança (dança)
AND EVER SINCE THAT NIGHT, WE’VE BEEN TOGETHER
E desde aquela noite, estamos juntos
LOVERS AT FIRST SIGHT IN LOVE FOREVER
Amor à primeira vista, apaixonados para sempre
I TURNED OUT SO RIGHT
Deu tudo tão certo
FOR STRANGERS IN THE NIGHT
Para nós que começamos apenas como estranhos
QUE SEREI?
"Serei uma cálida luz,
serei a manhã que desponta?
Serei uma bolha no ar
ou uma fonte que canta?
Serei espiga doirada
ou o verde capinzal?
Serei a águia altaneira
ou o irrequieto pardal?
Serei a lágrima que corre
na face do moribundo?
Ou uma mensagem secreta
de um atribulado mundo?
Em devaneios me perco.
E o que serei? Pouco importa!
São perguntas, eis a vida.
ESPERO RESPOSTAS.
Os olhos de noite, marejados, ébrios. Os elogios de um amigo dizendo que sou bela. E completo que sou triste.
Oh noite inconsolável em que sou alguma coisa esparramada, desmanchada pelo chão...