Vexando-me


27/07/2006


O que fazer?

O que fazer enquanto não nos traga a morte?

Escrito por A menina do lado às 13h10
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Das observações vulgares


Há tempo para olhares vulgares...



Observar que minha memória é vulgar mesmo para ruas e talvez faça isso só pra ter o gosto de me perder por aí...Ou, como não sei envelhecer(e duvido que alguém o saiba sem que já esteja morto por antecipação), pra que eu possa ter o prazer doentio que me dêem a mão...


De todo modo, a suposta liberdade comportamental infantil soa-me como grosseira...Tanto como a retidão moralista. E sorrio perversa como uma criança, consciensiosa como uma civilizada...E acho que só esse sabor de absurdo pode deixar aquele sorvete de chocomenta sublime.


Gosto de observar que posso degustar fados e boleros logo de manhã, logo após o suco de laranja com mel, como gosto. Que não há horas apropriadas para quaisquer coisas fúnebres, nem expiação, nem para diversão.


E o que dizer dos ventos? Nunca me ouviram. Nem a lua nunca me namorou. E não precisei ter um dia amargo para perceber sobre isso.


Gosto de pensar que quis possuir os belos...Que encaixotei joaninhas e soldadinhos e meu desapontamento em tê-los mortos foi porque a beleza fenecia aos meus olhos, nada mais. Se lhes pudesse dar sopro de vida, sopraria. Só por fruição estética.


Gosto de observar que não ando versada em nada e que estou a odiar discursos prontos de simpósio...O modo que se tornou um tanto canhestro e obrigatório o castiço forçado que há no academês.


Canso-me da frialdade forçosa do academês. O academês tem-me fugido, e não sei se por que talvez ande muito chã para ele, ou muito superior a ele.


Mas ainda sei bem expressões latinas e ainda choro sob dicionários...


Gosto de observar que sinos me comovem. E que seria legal-al-al uma procissão de mortos num filme de George Romero. Com sinos. Sinos dessa vez com face sangrenta, não de memória, não ritualística.


E, é fato, frutas tiradas do pé, principalmente roubadas, têm mais sabor...


E, grosso modo, acho comumente jazz para medianos...E adoro ser "Grosso modo", adoro dizer, com desprezo "Cousa para medianos".


E, vulgarmente, observo que já perdi os melhores versos que fiz...E talvez tenha perdido tempo, e sem me arrepender, que acho o arrependimento demasiado cínico. Não, não me arrependo. Não por minha ferida narcísea em flor, não para me apalpar e confortar, mas porque o arrependimento é algo ainda mais cretino do que consigo ser.


E, que cretino, que vulgar é relatar isso aqui, e ter a estranha experiência de alguém inda ousar lançar qualquer olhar sobre.


Mas escrever sempre é exaltação do ego...Fazer o quê?


Gloria in excelsis

Escrito por A menina do lado às 13h09
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Do resgate

Então, são esses, os dias de folga...

Foi triste quando me peguei superestimando as coisas pequenas, foi triste quando vi minha compleição demasiado combalida, relutante, um tanto vencidista, um tanto mal-du-siècle, um tanto blasé...Posso enumerar os efeitos devestadores da fadiga?

Foi um tanto triste ver-me em uma espécie de casulo, uma hibernação que sabia não ser produtiva. Foi feio como afogar uma criança. É feio dormir em certas horas, quando há, enfim, tanta luz, e tanto negro...

Mas são esses, os dias de folga. Penso que não sei mais falar tão rebuscadamente. Certas coisas foram perdidas. Quiçá certa pujança se recupere. Não falo exatamente sentimental...O sentimental sempre esteve como eu, em hemorragia.

Mas nesses dias que superesitimo( E me canso de superestimar a tudo que me foi permitido, concedido, com medo da dor das coisas pequenas que se tornaram grandes demais) propuseram-me uma espécie de pequeno parto...

Mas é dramático demais, exposto demais...Renascer...O regojizo de renascer...A alacridade do trago no cálice sagrado....Essa alegria de Lázaro ressuscitado...Essa vontade de ouvir um kyrie de Couperin, pois, parece, já posso ter dó de tudo o que é morto...Essa ânsia matusalênica que me acorre, et vox clamantis in deserto...

Como ser, digo, matusalém e uma lépida gazela, ao mesmo tempo?

Como voltar a sabores tão antigos? E olhar para o celeste, para o avante.

De ora avante...As horas passarão...

De todos os modos, é saboroso. O momento de parar, na velha estação. E essa sensação de ser inteira. De fazer ceias redentoras, onde se reparte o pão. Ou mesmo de solfejar na messe de morts.

Os dias de folga...Em que posso ser inteira, tanto que posso me multipartir...E não era isso que amavam? Os contrários inconciliáveis. Quiçá de volta o pedantismo. Parar. Olhar. Vadiar. Talvez ainda esteja lá, o que perdi.

Olhei o céu ontem de modo tão absorvente...Tempo para as paisagens que apenas virara cenário bestial. E tempo pra fazer pensar que é tão poluto esse meu ar contemplativo...Assim como os choros dementes de ultra-românticos descabelados.

Mas acho bom olhar...Talvez as coisas estejam maiores, talvez as coisas estejam menores. Talvez os que ame me perdoem. Perdoem meu egoísmo. Todo luto, todo descanso é solitário. Escrever é solidão, e tenho direito. Não creio que isso seja exatamente compreensível. Mas quem sabe, os que amo me perdoem.

Os lugares de beber, de dançar, de perder, de procurar infernos em busca do céu, ainda estejam por me abraçar...Talvez ainda haja algo que me faça completa, muito embora os braços do amante, que sempre me fazem completa.

Voltei a colher flores pelas ruas, flores simples, mundanas, dessas que morrem muito brevemente sem serem olhadas...

Tenho colhido as mesmas ervas daninhas...Mas só eu sei, parece, que elas não são iguais. E nós percebemos que as águas são sempre outras, outros pombos, outras folhas mortas sob o chão? E alguém rirá da "feminilização" que faço do heraclítico?

Riam, por favor.;-)

Gosto de ter tmepo pra anoitecer todas as coisas, quando quero....

E o tempo continuará a devorar os seus filhos...

"tudo o que dizemos sobre nós próprios
(o que eu digo de eu)
ou é irrelevante ou é inconfidente"

 (João Bénard da Costa)

Escrito por A menina do lado às 12h42
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26/07/2006


Dos olhos

É grácil quando me colocam olhos lobos...E olham esse meu universo...Será que permito que me olhem? É possível, de facto, olhar? Esse universo por vezes tão belo e tão triste...

Será que gosto de ser olhada? Será que se permite o olhar? Mas acho que serei sempre a flor dada ao vento, em absoluto sentimento. Os olhos negros, em silêncio.

Escrito por A menina do lado às 23h30
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25/07/2006


George Brassens el le chat

Sur Brassens, sur sa poesie....Et sa chanson galouse, sa chanson à boire, sa chanson d'amour....J'aime bien sa langue haute en couleurs, pleine de mots rares, d'images amusantes, de jeux de mots...Si Brassens et un poète, c'est aussi un musicien...

LE TESTAMENT

Georges Brassens (France)

Je serai triste comme un saule
Quand le Dieu qui partout me suit
Me dira, la main sur l'épaule
"Va-t'en voir là-haut si j'y suis"
Alors, du ciel et de la terre
Il me faudra faire mon deuil
Est-il encor debout le chêne
Ou le sapin de mon cercueil

S'il faut aller au cimetière
J'prendrai le chemin le plus long
J'ferai la tombe buissonnière
J'quitterai la vie à reculons
Tant pis si les croqu'-morts me grondent
Tant pis s'ils me croient fou à lier
Je veux partir pour l'autre monde
Par le chemin des écoliers

Avant d'aller conter fleurette
Aux belles âmes des damnées
Je rêv' d'encore une amourette
Je rêv' d'encor m'enjuponner
Encore un' fois dire: "Je t'aime"
Encore un' fois perdre le nord
En effeuillant le chrysanthème
Qui est la marguerite des morts

Dieu veuill' que ma veuve s'alarme
En enterrant son compagnon
Et qu'pour lui fair' verser des larmes
Il n'y ait pas besoin d'oignon
Qu'elle prenne en secondes noces
Un époux de mon acabit
Il pourra profiter d'mes bottes
Et d'mes pantoufl's et d'mes habits

Qu'il boiv' mon vin, qu'il aim' ma femme
Qu'il fum' ma pipe et mon tabac
Mais que jamais - mort de mon âme
Jamais il ne fouette mes chats
Quoique je n'aie pas un atome
Une ombre de méchanceté
S'il fouett' mes chats, y a un fantôme
Qui viendra le persécuter


Ici-gît une feuille morte
Ici finit mon testament
On a marque dessus ma porte
"Fermé pour caus' d'enterrement"
J'ai quitté la vie sans rancune
J'aurai plus jamais mal aux dents
Me v'là dans la fosse commune
La fosse commune du temps

Escrito por A menina do lado às 13h34
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O gato em “Os Maias”



Trechos seleccionados por mim!

Vilaça costumava dizer que lhe lembrava sempre o que se conta dos patriarcas, quando o vinha encontrar ao canto da chaminé, na sua coçada quinzena de veludilho, sereno, risonho, com um livro na mão, o seu velho gato aos pés. Este pesado e enorme angorá, branco com malhas louras, era agora (desde a morte de Tobias, o soberbo cão são-bernardo) o fiel companheiro de Afonso. Tinha nascido em Santa Olávia, e recebera então o nome de Bonifácio: depois, ao chegar à idade do amor e da caça, fora-lhe dado o apelido mais cavalheiresco de «D. Bonifácio de Calatrava»: agora, dorminhoco e obeso, entrara definitivamente no remanso das dignidades eclesiásticas, e era o «Reverendo Bonifácio»...
(...)
O «Reverendo Bonifácio», que desde que se tornara dignitário da Igreja comia com os senhores, lá estava já majestosamente sentado sobre a alvura nevada da toalha, à sombra de algum grande ramo. Era ali, no aroma das rosas, que o venerável gato gostava de lamber, com o seu vagar estúpido, as sopas de leite, servidas num covilhete de Estrasburgo. Depois agachava-se, traçava por diante do peito a fofa pluma da sua cauda, e de olhos cerrados, os bigodes tesos, todo ele uma bola entufada de pêlo branco malhado de oiro, gozava de leve uma sesta macia.
(...)
Abriu uma porta. Uma frescura de campos entrava pelas janelas abertas; e entreviam-se árvores de quintal, um verde de terrenos vagos, depois lá em baixo o branco de casarias rebrilhando ao sol; uma rapariga muito sardenta e muito forte sacudiu o gato do colo, ergueu-se, com o Jornal de Notícias na mão. Ega apresentou-a, num tom de farsa:
— A Sr.a Josefa, solteira, de temperamento sanguíneo, artista culinária da «Vila Balzac», e, como se pode observar pelo papel que lhe pende das garras, cultora das boas letras!
(...)
Mas Ega, agora agitado de ideias negras, temia que ele tivesse assassinado a mulher! O sorriso céptico de Craft indignou-o. Quem conhecia melhor o Cohen do que ele? Sob a aparência burguesa, era um monstro! Tinha-lhe visto matar um gato, só por capricho de derramar sangue...
— Tenho um pressentimento de desgraça — balbuciou ele aterrado.
(...)
Até aí, durante essas três semanas, tinham-se encontrado numa casa da Rua de Santa Isabel, pertencente a uma tia da condessa que fora para o Porto com a criada, deixando-lhe a chave da casa e o cuidado do gato. A boa titi, uma velha pequenina, chamada Miss Jones, era uma santa, uma apóstola militante da Igreja Anglicana, missionária da Obra da Propaganda; e todos os meses fazia assim uma viagem de catequização à província, distribuindo Bíblias, arrancando almas à treva católica, (...)
(...)
(...) Todo o patriota devia apostar pelo cavalos do visconde de Darque, que era o único criador português!...
— Pois não é verdade, Sr. Afonso da Maia?
O velho sorriu, amaciando o seu gato.
— O verdadeiro patriotismo, talvez — disse ele — seria, em lugar de corridas, fazer uma boa tourada.
(...)
Subiu. E pousara apenas a luz sobre a cómoda, quando sentiu ao fundo, no silêncio do corredor, um gemido longo, desolado, de uma tristeza infinita. Um terror arrepiou-lhe os cabelos. Aquilo arrastava-se, gemia no escuro, para o lado dos aposentos de Afonso da Maia. Por fim, reflectindo que toda a casa estava acordada, cheia de criados e de luzes, Ega ousou dar alguns passos no corredor, com o castiçal na mão trémula. Era o gato! Era o «Reverendo Bonifácio», que diante do quarto de Afonso, arranhando a porta fechada, miava doloridamente. Ega escorraçou-o, furioso. O pobre «Bonifácio» fugiu, obeso e lento, com a cauda fofa a roçar o chão: mas voltou logo, e esgatanhando a porta, roçando-se pelas pernas do Ega, recomeçou a miar, num lamento agudo, saudoso como o de uma dor humana, chorando o dono perdido que o acariciava no colo e que não tornara a aparecer. Ega correu ao escritório a pedir ao Vilaça que dormisse essa noite no Ramalhete. O procurador acedeu, impressionado com aquele horror do gato a chorar. Deixara o montão de papéis sobre a mesa, voltara a aquecer os pés ao lume dormente. E voltando-se para o Ega, que se sentara, ainda todo pálido, no sofá bordado a matiz, antigo lugar de D. Diogo, murmurou devagar, gravemente:
— Há três anos, quando o Sr. Afonso me encomendou aqui as primeiras obras, lembrei-lhe eu que, segundo uma antiga lenda, eram sempre fatais aos Maias as paredes do Ramalhete. O Sr. Afonso da Maia riu de agouros e lendas... Pois fatais foram!

Escrito por A menina do lado às 13h28
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Ainda sobre felinos....

ODA AL GATO

Los animales fueron
imperfectos,
largos de cola, tristes
de cabeza.
Poco a poco se fueron
componiendo,
haciéndose paisaje,
adquiriendo lunares, gracia, vuelo.
El gato,
sólo el gato
apareció completo
y orgulloso:
nació completamente terminado,
camina solo y sabe lo que quiere.


El hombre quiere ser pescado y pájaro,
la serpiente quisiera tener alas,
el perro es un león desorientado,
el ingeniero quiere ser poeta,
la mosca estudia para golondrina,
el poeta trata de imitar la mosca,
pero el gato
quiere ser sólo gato
y todo gato es gato
desde bigote a cola,
desde presentimiento a rata viva,
desde la noche hasta sus ojos de oro.


No hay unidad
como él, no tienen
la luna ni la flor
tal contextura:
es una sola cosa
como el sol o el topacio,
y la elástica línea en su contorno
firme y sutil es como
la línea de la proa de una nave.
Sus ojos amarillos
dejaron una sola
ranura
para echar las monedas de la noche.


Oh pequeño
emperador sin orbe,
conquistador sin patria,
mínimo tigre de salón, nupcial
sultán del cielo
de las tejas eróticas,
el viento del amor
en la intemperie
reclamas
cuando pasas
y posas
cuatro pies delicados
en el suelo,
oliendo,
desconfiando
de todo lo terrestre,
porque todo
es inmundo
para el inmaculado pie del gato.


Oh fiera independiente
de la casa, arrogante
vestigio de la noche,
perezoso, gimnástico
y ajeno,
profundísimo gato,
policía secreta
de las habitaciones,
insignia
de un
desaparecido terciopelo,
seguramente no hay
enigma
en tu manera,
tal vez no eres misterio,
todo el mundo te sabe y perteneces
al habitante menos misterioso,
tal vez todos lo creen,
todos se creen dueños,
propietarios, tíos
de gatos, compañeros,
colegas,
discípulos o amigos
de su gato.


Yo no.
Yo no suscribo.
Yo no conozco al gato.
Todo lo sé, la vida y su archipiélago,
el mar y la ciudad incalculable,
la botánica,
el gineceo con sus extravíos,
el por y el menos de la matemática,
los embudos volcánicos del mundo,
la cáscara irreal del cocodrilo,
la bondad ignorada del bombero,
el atavismo azul del sacerdote,
pero no puedo descifrar un gato.
Mi razón resbaló en su indiferencia,
sus ojos tienen números de oro.

(Neruda...)

Escrito por A menina do lado às 13h26
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La dernière lettre de Manouchian à sa femme

Ma Chère Mélinée, ma petite orpheline bien-aimée,

Dans quelques heures, je ne serai plus de ce monde. Nous allons être fusillés cet après-midi à 15 heures. Cela m'arrive comme un accident dans ma vie, je n'y crois pas mais pourtant je sais que je ne te verrai plus jamais.
Que puis-je t'écrire ? Tout est confus en moi et bien clair en même temps.
Je m'étais engagé dans l'Armée de Libération en soldat volontaire et je meurs à deux doigts de la Victoire et du but. Bonheur à ceux qui vont nous survivre et goûter la douceur de la Liberté et de la Paix de demain. Je suis sûr que le peuple français et tous les combattants de la Liberté sauront honorer notre mémoire dignement. Au moment de mourir, je proclame que je n'ai aucune haine contre le peuple allemand et contre qui que ce soit, chacun aura ce qu'il méritera comme châtiment et comme récompense. Le peuple allemand et tous les autres peuples vivront en paix et en fraternité après la guerre qui ne durera plus longtemps. Bonheur à tous... J'ai un regret profond de ne t'avoir pas rendue heureuse, j'aurais bien voulu avoir un enfant de toi, comme tu le voulais toujours. Je te prie donc de te marier après la guerre, sans faute, et d'avoir un enfant pour mon bonheur, et pour accomplir ma dernière volonté, marie-toi avec quelqu'un qui puisse te rendre heureuse. Tous mes biens et toutes mes affaires je les lègue à toi à ta sœur et à mes neveux. Après la guerre tu pourras faire valoir ton droit de pension de guerre en tant que ma femme, car je meurs en soldat régulier de l'armée française de la libération.
Avec l'aide des amis qui voudront bien m'honorer, tu feras éditer mes poèmes et mes écrits qui valent d'être lus. Tu apporteras mes souvenirs si possible à mes parents en Arménie. Je mourrai avec mes 23 camarades tout à l'heure avec le courage et la sérénité d'un homme qui a la conscience bien tranquille, car personnellement, je n'ai fait de mal à personne et si je l'ai fait, je l'ai fait sans haine. Aujourd'hui, il y a du soleil. C'est en regardant le soleil et la belle nature que j'ai tant aimée que je dirai adieu à la vie et à vous tous, ma bien chère femme et mes bien chers amis. Je pardonne à tous ceux qui m'ont fait du mal ou qui ont voulu me faire du mal sauf à celui qui nous a trahis pour racheter sa peau et ceux qui nous ont vendus. Je t'embrasse bien fort ainsi que ta sœur et tous les amis qui me connaissent de loin ou de près, je vous serre tous sur mon cœur. Adieu. Ton ami, ton camarade, ton mari.

Manouchian Michel.

Escrito por A menina do lado às 13h25
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Dos felinos...

FERNANDO PESSOA

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa,1-1931

Escrito por A menina do lado às 13h21
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Les vieux
Paroles et Musique: J. Brel/G. Jouannest 1964

Les vieux ne parlent plus ou alors seulement parfois du bout des yeux
Même riches ils sont pauvres, ils n'ont plus d'illusions et n'ont qu'un cœur pour deux
Chez eux ça sent le thym, le propre, la lavande et le verbe d'antan
Que l'on vive à Paris on vit tous en province quand on vit trop longtemps
Est-ce d'avoir trop ri que leur voix se lézarde quand ils parlent d'hier
Et d'avoir trop pleuré que des larmes encore leur perlent aux paupières
Et s'ils tremblent un peu est-ce de voir vieillir la pendule d'argent
Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non, qui dit : je vous attends

Les vieux ne rêvent plus, leurs livres s'ensommeillent, leurs pianos sont fermés
Le petit chat est mort, le muscat du dimanche ne les fait plus chanter
Les vieux ne bougent plus leurs gestes ont trop de rides leur monde est trop petit
Du lit à la fenêtre, puis du lit au fauteuil et puis du lit au lit
Et s'ils sortent encore bras dessus bras dessous tout habillés de raide
C'est pour suivre au soleil l'enterrement d'un plus vieux, l'enterrement d'une plus laide
Et le temps d'un sanglot, oublier toute une heure la pendule d'argent
Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non, et puis qui les attend

Les vieux ne meurent pas, ils s'endorment un jour et dorment trop longtemps
Ils se tiennent par la main, ils ont peur de se perdre et se perdent pourtant
Et l'autre reste là, le meilleur ou le pire, le doux ou le sévère
Cela n'importe pas, celui des deux qui reste se retrouve en enfer
Vous le verrez peut-être, vous la verrez parfois en pluie et en chagrin
Traverser le présent en s'excusant déjà de n'être pas plus loin
Et fuir devant vous une dernière fois la pendule d'argent
Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non, qui leur dit : je t'attends
Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non et puis qui nous attend.

(Na foto, Brassens, Ferré, Brel.)

 

Escrito por A menina do lado às 13h20
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Eugénio e seu gato

Eugénio de Andrade


As Crianças

Elas crescem em segredo, as crianças. Escondem-se no mais oculto da casa para serem gato bravio, bétula branca.
Chega um dia em que estás descuidado a olhar o rebanho que regressa com a poeira da tarde, e uma delas, a mais bonita, aproxima-se em bicos de pés, diz-te ao ouvido que te ama, que te espera sobre o feno.
A tremer vais buscar a caçadeira, e passas o resto da tarde a atirar sobre as gralhas, inumeráveis, àquela hora.


in «Memória Doutro Rio», 1978

Escrito por A menina do lado às 13h19
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Cuando me vaya de Roma,
¿quién se acordará de mí?

Pregunten al gato,
pregunten al perro
y al roto zapato.

Al farol perdido,
al caballo muerto
y al balcón herido.

Al viento que pasa,
al portón oscuro
que no tiene casa.

Y al agua corriente
que escribe mi nombre
debajo del puente.

Cuando me vaya de Roma,
pregunten a ellos por mí.

(Rafael Alberti)

Escrito por A menina do lado às 13h18
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"Les choses de l'amour

Ne vivent pas

Si tu t'en vas

La mort vaincra toujours la fleur de l'âge

C'est son ouvrage

Malgré l'amour

Qui meurt toujours...

(Si tu t'en vas, léo ferré)

Escrito por A menina do lado às 13h18
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TU N'EN REVIENDRAS PAS

(Musique: Léo Ferré)
Léo Ferré (France)


Tu n'en reviendras pas toi qui courais les filles
Jeune homme dont j'ai vu battre le cœur à nu
Quand j'ai déchiré ta chemise et toi non plus
Tu n'en reviendras pas vieux joueur de manille

Qu'un obus a coupé par le travers en deux
Pour une fois qu'il avait un jeu du tonnerre
Et toi le tatoué l'ancien Légionnaire
Tu survivras longtemps sans visage sans yeux

On part Dieu sait pour où Ça tient du mauvais rêve
On glissera le long de la ligne de feu
Quelque part ça commence à n'être plus du jeu
Les bonshommes là-bas attendent la relève

Roule au loin roule le train des dernières lueurs
Les soldats assoupis que ta danse secoue
Laissent pencher leur front et fléchissent le cou
Cela sent le tabac la laine et la sueur

Comment vous regarder sans voir vos déstinées
Fiancés de la terre et promis des douleurs
La veilleuse vous fait de la couleur des pleurs
Vous bougez vaguement vos jambes condamnées

Déjà la pierre pense où votre nom s'inscrit
Déjà vous n'êtes plus qu'un nom d'or sur nos places
Déjà le souvenir de vos amours s'efface
Déjà vous n'êtes plus que pour avoir péri

Escrito por A menina do lado às 13h14
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Encore une fois....

 

Encore une fois, les chansons...Oui, oui...Le style Rive gauche...Dans les cabarets et les caves de Saint-Germain et du quartier latin sur la rive gauche de la Seine. C'est vrais...Les maintenant son morts. Mais dans ma tête e dans mon coeur sont toujours bien vivants...Ils continuent à defendre une chanson mise au service de la poesie.

Léo Ferré, Jacques Douai, Catherine Sauvage, Boris Vian,Georges Brassens, Jacques Brel. Anne Sylvestre, Gainsbourg, Barbara, Jean Ferrat...

La vie d'artiste (Francis Claude et Léo Ferré)

Je t'ai rencontrée par hasard,

Ici, ailleurs ou autre part,
Il se peut que tu t'en souviennes.
Sans se connaître on s'est aimés,
Et même si ce n'est pas vrai,
Il faut croire à l'histoire ancienne.
Je t'ai donné ce que j'avais
De quoi chanter, de quoi rêver.
Et tu croyais en ma bohème,
Mais, si tu pensais à vingt ans
Qu'on peut vivre de l'air du temps,
Ton point de vue n'est plus le même.

Cette fameuse fin du mois
Qui depuis qu'on est toi et moi,
Nous revient sept fois par semaine
Et nos soirées sans cinéma,
Et mon succès qui ne vient pas,
Et notre pitance incertaine.
Tu vois je n'ai rien oublié
Dans ce bilan triste à pleurer
Qui constate notre faillite.
Il te reste encore de beaux jours
Profites-en mon pauvre amour,
Les belles années passent vite.

Et maintenant tu vas partir,
Tous les deux nous allons vieillir
Chacun pour soi, comme c'est triste.
Tu peux remporter le phono,
Moi je conserve le piano,
Je continue ma vie d'artiste.
Plus tard sans trop savoir pourquoi
Un étranger, un maladroit,
Lisant mon nom sur une affiche
Te parlera de mes succès,
Mais un peu triste toi qui sais
Tu lui diras "que je m'en fiche...
Que je m'en fiche...

Il y a un certain air que on peut juger quelquefois comme trop intelectuelle, mais voilà le charm. Et alors, je vais leurs donner un peu de Léo Ferré, avec sa vie vaste et profonde.

Ses cheveux longs, l'image de quelqu'un qui ne mange pas toujours à sa faim...Le violent, l'anarchiste, un peu drôle, infantil...De quelque manière, je le refuse...Mais aussi, je l'aime...Pour chanter Rutebeuf, Baudelaire, Verlaine et même Apollinaire...

Escrito por A menina do lado às 13h13
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24/07/2006


Teu amor é um fogo, é um fogo
É um fogo, é um fogo...


 

Escrito por A menina do lado às 22h39
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Summertime

Summertime and the livin' is easy
Fish are jumpin' and the cotton is high
Oh your daddy's rich and your ma is good lookin'
So hush little baby, don't you cry
One of these mornings
You're goin' to rise up singing
Then you'll spread your wings
And you'll take the sky
But till that morning
There's a nothin' can harm you
With daddy and mammy standin' by

(Na voz de Ella Fitzgerald)

Escrito por A menina do lado às 22h37
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J'aime prendre le temps
Qu'il me faut pour vivre
Regarder autour tout en cherchant l'amour
J'aime la musique et les chansons magiques
J'aime le soleil et l ‘amour éternel
J'aime le matin quand près de moi il se réveille
J'aime la nuit dans le nid du paradis
Dis-moi qu'est-ce que tu penses
Qu'est-ce que tu préfères
Qu'est-ce qu'il te faut
Pour monter, monter monter plus haut

Aimes-tu la vie comme moi?
Vois-tu la vie comme ça?
Aimes-tu la vie comme moi?
Dis-le moi!

J'aime la campagne
Le seul endroit pour être calme
J'aime les animaux
Y'a rien de plus fin et de plus beau
J'aime le matin quand près de moi il se réveille
J'aime bien la nuit dans le nid du paradis
Dis-moi qu'est-ce que tu penses
Qu'est-ce que tu préfères
Qu'est-ce qu'il te faut
Pour monter, monter monter plus haut

Aimes-tu la vie comme moi?
Vois-tu la vie comme ça?
Aimes-tu la vie comme moi?
Dis-le moi!

Aimes-tu la vie comme moi?
Vois-tu la vie comme ça?
Aimes-tu la vie comme moi?
Vois-tu la vie comme ça?

Aimes-tu la vie
Vois-tu la vie

Escrito por A menina do lado às 22h35
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23/07/2006


não imaginas...
sim! não imaginas...

o que o teu falar calou em mim
o que o teu calar falou em mim

o que a tua ausência me tornou presente...

Escrito por A menina do lado às 12h27
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Tumbalalaika




Tumbalalaika

Shteyt a bocher, shteyt un tracht,
tracht un tracht a gantze nacht.
Vemen tsu nemen un nit far shemen,
vemen tsu nemen un nit far shemen.

Tumbala, tumbala, tumbalalaika,
Tumbala, tumbala, tumbalalaika
tumbalalaika, shpiel balalaika
tumbalalaika - freylach zol zayn.

Meydl, meydl, ch'vel bay dir fregen,
Vos kan vaksn, vaksn on regn?
Vos kon brenen un nit oyfhern?
Vos kon benken, veynen on treren?

Narisher bocher, vos darfstu fregn?
A shteyn ken vaksn, vaksn on regn.
Libeh ken brenen un nit oyfhern.
A harts kon benkn, veynen on treren.




Um jovem rapaz pensa, pensa a noite toda
Estará errado, ele perguntra, ou talvez certo?
Deverá declarar seu amor, escolher ousar?
E ela aceitará, ou recusará?

Tumbala, tumbala, tumbalalaika,
Tumbala, tumbala, tumbalalaika
tumbalalaika, toque a Balalaika,
tumbalalaika - nos deixe ser felizes.

Senhora, senhora, me diga novamente
O que pode crescer, crescer sem a chuva?
O que pode incendiar durante muitos anos?
Quem pode ansiar e chorar, sem lágrimas?

Tolo rapaz, por que ainda pergunta?
É a pedra que cresce, que cresce sem chuva.
É o amor que pode incendiar por anos.
É o coração que pode chorar sem lágrimas.


 

Aquela fotografia, inerte...A campônea russa, irmãozinho, e tu, tão jovem, de coração vermelho-verde....A dizer-me que as alfazemas permeiam os campos russos em tempos amenos...E eu, de russo ruim, só sabia dizer "les champs de parfum"....

 


 

Escrito por A menina do lado às 12h23
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Sobre os barcos nas águas

Nesse tempo, irmãozinho, eram os barcos de papel...

E nossas mãos, eram um mergulho...

A lentidão de preparar o barco e colocá-lo a navegar...

O mundo, o mundo naquela poça...

"- e os barcos? os barcos de papel não naufragam?"

 os barcos de papel rijo amolecem no bater das ondas que fazemos com os pés...
diluem-se na água e seguem o seu curso rumo ao mar...

"- e não ficam tristes?"

- não querida, não ficam tristes porque se perdem no mar grande...

"- e não têm medo?"

- têm! têm muito medo! Mas é preciso navegar. O mar é tão grande, seduz, como uma sereia...

O mar, irmãozinho, é sempre tão grande...Devias tu ter descansado, ante a grandeza do mar.

Os barcos de papel não naufragam...

 

Escrito por A menina do lado às 12h18
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Do som

Nesses dias, de palavra pouca, e grande comoção, faz-me falta o piano...

Mas é como sempre digo...Na canção, no silêncio, faz-se sempre comunicação.

Só sei que em dias assim, de sol, quiçá, faz-me falta a chuva...

Estou dum jeito que hoje, à janela, firo os ventos com meus olhos. O azul do dia anoitece.

Escrito por A menina do lado às 12h10
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Do verde coração....

De quando se é jovem, de quando há bem e mal, de quando há causas possíveis, e brancos e vermelhos...De quando os vermelhos não se entendiam como um verde coração.

De quando não se há espasmos de insolúvel, nem ar blasé...:)

 

Escrito por A menina do lado às 12h04
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Sobre a criança

É ele, o irmãozinho. Ensina-me sobre trovões. Sabe causar trovões, quando escondido no corredor. Basta que balance aquele papel. A mãe, a mãe se assusta, e crê. E ele ensina-me sobre o poder do mito, e sobre a crença. A mãe vê o que quer, e sua desculpa é o medo. Mas ele não precisou dizer. Que eu sabia, o q a mãe nunca soube: que vinha do papel, e aquela crença, de um desejo.


O irmãozinho que me sorriu quando vi que Santa Claus era apenas um belo nome polonês. É que eu já achava os homens bonachões algo prostrado.


O irmãozinho, o primeiro nome em minha boca, a primeira palavra pronunciada...


Mas não pude lhe ensinar a não ter medo. Não pude. Não é grande a multidão. A multidão é amorfa, não quer dizer nada. Não tem que se escorar, assim, na parede.Mas não pude dizer isso ao irmãozinho.


E resta nossos anos eclipsados. Sister sun, sister moon. Nossas mesmas noites com sol.


Suportará o irmãozinho o eclipse?


Escrito por A menina do lado às 11h42
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