Vexando-me


24/11/2006


Do desdém às horas

Alma, lama, trocadilhos quasi imberbes. Mas bem podia ser agoura viperina, ruibarbosista. Só risada sardônica e perfídia. E cautela. E ter todo o desamor dos concidadãos. E  ser musa dos trocadilhos dos imberbes. Melhor musa rouge que clorótica. Praguejar contra a rafaméia e os prosaicos jornais que me desonram. Estar alheia às fragrâncias e minhas amáveis janelas. Desdenhar os passos rápidos dos citadinos. Repetição. Desinteresse.Doença;

alma, lama. Minha risada sardônica? Quanto mais se ri, mais triste se é. Mais sapiente, também.:)

Escrito por A menina do lado às 02h59
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Não adianta, acho que toda espera é cândida. Vem da raiz...Esperançosa...

Espera é acto de amor. Sempre de amor-próprio.

(Ou quiçá instinto besta besta de viver)

Espera de qualquer movimento, qualquer vôo, qualquer paragem, qualquer encruzilhada. Solene, incólume,mórbida ou des(esperada), rs...Sempre espera. E cândida espera. Como a espera das renas legítimas polonesas e noélicas.;)

Escrito por A menina do lado às 02h42
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Ainda sobre janelas

Outro quadro de Vermeer, a janela tornando tolerável a repetição...

Escrito por A menina do lado às 02h34
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Abre-te, Sésamo

Janela é uma metáfora velha. Mas as amo. Passagem para cá, para dentro, para o ego. Sempre.:)

Nesse quadro do flamengo Vermeer a iluminação natural da janela, a iluminar os corações do "soldado e da moça sorrindo".

:)

 

Escrito por A menina do lado às 02h26
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Do pó

Da imensa vontade do pó. De se desfazer no ar, feito fogos de artifício. De cobrir móveis e dar razão aos porões.De encher os pulmões dos que lentamente esperam a morte. Ser pólen fugidio das flores, plenos de esterelidade. A parte gasta dum roído coração. Talho das rochas, guizos que se vão. Regras mensais de tristes meninas. Qualquer coisa natimorta(Mas tudo é natimorto). Ser como as puídas mangas, e aquela face envelhecida, cujos veios parecem sangrados. Partir, com indolência. Deixar de ser, e esquecer das lendas dos mármores. A única eternidade que me importa é a a frialdade do meu coração. E o altivo olhar, o olhar pasmo, para a cal da construção.

 

Escrito por A menina do lado às 02h12
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Estou cá a pensar. Omundo fora da janela. Derribando-se. Convulsões. Os solitários estéreis. E os sorrisos fáceis dos amantes.

Tudo isso dá vontade de elevar fumaça aos céus. O sublime espasmo do caos. Caos insolúvel. Vida nua.Bom que assim o seja.

*Sorriso fácil de amante.

O mundo pode ser pequeno atrás da janela. Sem dó, faço-lhe pó.

Savoir-vivre e dar de ombros.

É boa a vontade do nada que me dá certas epifanias. É muito além do desgostoso. Além da sensaboria.

O mundo tão pequeno à janela...Espetáculo tão delirante quanto retesado. Sorriso besta de amante e clap clap clap.;)

Escrito por A menina do lado às 01h54
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Pudesse, noite vinolenta. A tinto. Balsâmica.

Abismos e sangue a correr como um violento vinho. A entontecer o vago que sinto. A causar gemidos.

Tintas vozes gemebundas.

Descer, cair. A amável vontade da queda. Cadente e sublime. Vinhos são adjectivos a larga. É hemorragia de adjectivos.

Escrito por A menina do lado às 01h49
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A vida

Se mais uma criança apareceu.
Se pra felicidade alguém nasceu.
Eu sinto que a vida está mentindo,
Pois nunca vi ninguém nascer sorrindo

Aqueles que nascem
Porque é preciso
Trazem uma lágrima
Em vez de um sorriso.
Se viver é bom
Como é que a vida diz:
“Tens que sofrer pra ser feliz”.

(Guilherme de Brito & Nelson Cavaquinho)

Escrito por A menina do lado às 01h41
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23/11/2006


Oh tedium vitae

Luas pálidas, portas bolorentas, silêncio clorótico duns, chafurdar ressonante doutros.Esbórnia.

Ah, tudo isso me enfada. Pudesse ter a austeridade marmórea, em vez dessa virulência. Ter a indulgência dum bronze, a sonolificência dum Sêneca.

As coisas andam bestas, muitos bestas. Sem merecer sublimação alguma. Sem merecer ser choradas. As coisas não andam choráveis.

Melhor dormir, pra ver se passa.;-)

Escrito por A menina do lado às 03h36
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É agora. No imenso barulho. Na farta constelação. Nos fogos de artifício. A hora da solitude,  da perdição. Hora do beijo da morte.Mas também a hora da ressucitação imorredoura.Tantas vezes se nasce e morre e se debate.

Uma vida inteira, como tristes afogados que voltam a suspirar.

Eu suspiro, jamais respiro.

Suspirar- que intimidade secreta, que glória...

E que mutismo causa o êxtase de suspirar.Que mutismo glorioso.

Escrito por A menina do lado às 03h30
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Como todos se curvam aos nossos lábios, carnosas margens de um nada.
Quando se colam em outros, tímido túnel onde o nada com o nada se comunica!"
Alexei Bueno, A via estreita, Ode II

Escrito por A menina do lado às 03h22
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Os férvidos amantes e os austeros sábios
Na idade madura, ambos sabem amar
Os gatos fortes, meigos, orgulho do lar,
Que, tal como eles, são friorentos, sedentários.

Amigos da volúpia e também da ciência,
Procuram o horror das trevas, o silêncio;
E tê-los-ia o Érebo por corcéis fúnebres
Se um dia à servidão dobrassem o orgulho.

Adoptam ao sonhar as nobres atitudes
Das esfinges deitadas nos confins do mundo,
Parecendo adormecer no seu sonho sem fim;

Há mágicas centelhas nos seus rins fecundos
E alguns farrapos de oiro, alguma areia fina,
Estrelando vagamente
as místicas pupilas.

(Charles Baudelaire)

Escrito por A menina do lado às 03h14
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Quando eu for balzaca

Serão então 30 anos feridos

Escrito por A menina do lado às 03h03
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Sobre os amantes


A afabilidade amante. O mundo róseo, e tenro, e espostejado. O libelo. As mãos súplices aos céus de silêncio. As mãos amantes que abraçam o mundo roto, louco, e o enternece...

Só os amantes, as mãos amantes, a alentar o caos, como uma criança. Amor é o braço que alenta o caos. E o caos, é uma criança. Natural.


Sombrero. Bálsamo. Lira derramada sobre os sós estéreis. Beijo nas intoleráveis cicatrizes do mundo. Reflexo belo da nitidez insuportável.


Escrito por A menina do lado às 03h00
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El abrazo del amor

pintura: Frida Kahlo, El abrazo de amor del universo, la Tierra (Mexico), Diego, Yo y el Señor Xolotl (1949)
 

Escrito por A menina do lado às 02h48
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Não é exactamente o princípio que nos arrebata. Mas o fim que aguarda todos os princípios.

Certeza caudalosa de uma nascente e de uma desembocadura.

Donde? O medo verde do donde...

Só a desembocadura...Que é o negro da noite onde dormimos. O medo é verde e negro.

"É tão ser deixar de ser"

Gosto de metáforas das águas. O rio pode ser um templo, ou pode ser tão-somente água.

Escrito por A menina do lado às 02h46
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Concordo com Sei Shonagon. É lindo, uma seda azul. O azul se silencia e aguarda uma carícia.

O belo se silencia para nôs. Daí nasce o êxtase.

Escrito por A menina do lado às 02h38
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22/11/2006


Tu perdoarás a minha fraqueza? A dolência, como que feria de morte?

Perdoarás o ar penitente, a vontade endurecida da crueza?

Já não me cabe ser cruel. São outras, outras agora as sangrias.Mas, de todo modo, penso, é sempre desatino. Rio hórrido.

Perdoarás o súbito medo de monstros...?

 

Escrito por A menina do lado às 14h48
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A tarde. A tarde está azul que dói.

Incrível como a beleza, quando indomável(rs...Wesley) pode machucar.

Como o belo pode ser pesaroso. Por vezes o belo deveria ser proibido, principalmente quando perdido.

A perda mancha o belo de feio. Mas desde já toda beleza é maculada, porque é sempre antecipadamente perdida.

Escrito por A menina do lado às 14h45
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Na madrugada por vezes é possível auscultar a voz doída de ser.

Fico cá, com a canção absurda.

Escrito por A menina do lado às 11h46
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É por causa das trevas que gritam os homens, desde o princípio. Gritos ao silêncio. E na luz, na luz embaçada, só há de resposta um espelho embaçado, crispados de vagas estrelas. Vagas, breves estrelas.

 

Escrito por A menina do lado às 03h26
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Da indiferença do deserto

Fere teu silêncio. Faz-se soluçante a noite, em sua angústia de bronze.

Fere como a primeira noite.

A terrível anunciação do anjo

O anjo terrível

O frágil anjo

Coberto de lírios e de espanto

e d'asas vãs e feridas

Asas cheias de perigo

Belo, como todo os anjos

Anjo cravejado de dor

Doirado por lira

Anjo do deserto

Da dolorosa indiferença do deserto

(E essa noite é um deserto)

Todo Anjo é do deserto

Assim como todo desespero

Lá se irmanam e se pertencem

Em prantos

Anjos nascem do pranto

Terríveis anjos

Pálidos anjos

Brumosos, brancos

a iluminar o deserto

A cegar de amor o deserto

A entontecer d'amor a flor do deserto

Que ama num sopro de sacrifício

A provar de açoites e flagelos

Que depois de tanta

Tamanha luz

Não há mais regresso

Regresso de ser só

Pudesse voltar a saber ser só

só no deserto

Enquanto isso

A terra é baça

Mal se distingue

O céu é inacessível

e a poesia é ressonância

Vence-se com fadiga a tempestade

E as mãos pedem que os anjos não subam ao céu

tornando-se anjos de estranheza

que a verdade não se torne de todo proscrita e recolhida

Anjos são terríveis

Anjos d'asas quebradas

Vertendo seu langor

Langor de amor

O amor é um anjo d'asa quebrada

A noite é a ausência do anjo d'asa quebrada

Mas peço

Peço que a noite me ensine a voar

Quebrada

Voem meus pedaços

O vôo das terríveis alturas

E das baças terras

E são minhas vestes uma amargura

E nosso templo breve

Tão breve

Como a vestal clausura

De mortal espera

Que todo conhecer é dor

E ao anjo fui entregue

E poiso em suas asas

Num desejo de ser leve

E que não seja esta noite aeterna

Escrito por A menina do lado às 03h19
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O mar é vão.

 

Escrito por A menina do lado às 02h57
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Vou-me descobrindo uma habitação demasiado frágil...Sem sequer guardar a altivez de anjos caídos.

Como é altivo tudo aquilo que cai. Como é grácil tudo aquilo que possui uma finitude óbvia, que possui uma morte.

Acho que já não sei ser senda. Talvez eu seja algum junquilho retorcido, desses de todas as beiras, desencaminhado por escolha. Bestas, ao esquecimento.

Desses que querem aprender a ser sós.

Mas há este porto que toco, ex-abrigo de ninfas. Ansioso por bordados. Amante do relento, e que acha o frio uma já suave cobertura. O cetim amantíssimo do frio.

Feio as aves que se esbatem em vidros. Vi já algumas vezes um tal espetáculo. Vi-as, com pupilas enormes de um embevecimento.

E quero me esconder na noite. Quero imenso. E a noite, e tudo o que ela traveste, continuar a ferir como um punhal.

Quiçá haja consolo nas tristes magnólias. Breves. Vita brevis. Belas e breves. Belas e breves.

Sinto ser descortês toda essa expurgação tolaz. A tola menina bovarista amante de papéis fragrantes. A menina ainda em frescor.

A que odeia a banalização da palavra "catarse". E que, caso pudesse, só escreveria em letras vermelhas. Para lembrar da pungência do seu sangue, e que seus amparos são abismos.

E, desde o princípio, como são amáveis quanto funestas as coisas que caem, como se daí se explicasse toda a devoção ao dó.

Oh, beijos nos pés dos que me enchem de dó. Beijos no meu ar dolente, nos meus joelhos dados, dados...Jogados.

beijos no desespero de minhas mãos que percuram, cegamente.

Beijo a minha dor.

 

Escrito por A menina do lado às 02h54
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18/11/2006


Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.
O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.
Trêmulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?

(Fernando Pessoa)
19:04
10/04/2005

Escrito por A menina do lado às 00h39
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Häendel)

V'adoro, pupille,
saette d'amore,
le vostre faville
son grate nel sen.
Pietose vi brama
il mesto mio core,
che ogn'ora vi chiama
l'amato suo ben.

Je vous adore, prunelles,
flèches de l'amour ;
vos étincelles
pénètrent agréablement mon sein.
Mon triste coeur
vous supplie d'être charitables,
car sans cesse il vous appelle
son trésor chéri.

Escrito por A menina do lado às 00h36
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Donizetti)

Odi di un uom che muore,
odi l'estremo suon:
questo appassito fiore
ti lascio, Elvira, in don.

Quanto prezioso ei sia
tu dei saperlo appien;
nel dì che fosti mia
te lo involai dal sen.

Simbolo allor d'affetto,
or pegno di dolor;
torni a posarti in petto
questo appassito fior.

E avrai nel cor scolpito,
se duro il cor non è,
come ti fu rapito,
come ritorna a te.

Escrito por A menina do lado às 00h36
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Augusto dos Anjos)

E todo o dia eu vou como um perdido
De dor, por entre a dolorosa estrada,
Pedir a Dulce, a minha bem amada
A esmola dum carinho apetecido.

E ela fita-me, o olhar enlanguescido,
E eu balbucio trêmula balada:
- Senhora dai-me u'a esmola - e estertorada
A minha voz soluça num gemido.

Morre-me a voz, e eu gemo o último harpejo,
Estendendo à Dulce a mão, a fé perdida,
E dos lábios de Dulce cai um beijo.

Depois, como este beijo me consola!
Bendita seja a Dulce! A minha vida
Estava unicamente nessa esmola.

Escrito por A menina do lado às 00h33
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Carl Orff)

Amor volat undique,
captus est libidine.
Iuvenes, iuvencule
coniunguntur merito.
Siqua sine socio,
caret omni gaudio;
tenet noctis infima
sub intimo
cordis in custodia:
fit res amarissima.

Escrito por A menina do lado às 00h30
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Christoph Willibald von Gluck)

O del mio dolce ardor
Bramato oggetto, bramato oggetto,
L'aura che tu respiri, alfin respiro,
Alfin respiro.
Ovunque il guardo io giro,
Le tue vaghe sembianze
Amore in me dipinge: il mio pensier si finge
Le più liete speranze;
E nel desio che così m'empie il petto
Cerco te, chiamo te, spero e sospiro
Ah! O del mio dolce ardor
Bramato oggetto, bramato oggetto,
L'aura che tu respiri, alfin respiro,
Alfin, alfin respiro.

Escrito por A menina do lado às 00h29
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Erster Verlust (1785-1786)

Ach, wer bringt die schönen Tage,
Jene Tage der ersten Liebe,
Ach, wer bringt nur eine Stunde
Jener holden Zeit zurück!

Einsam nähr ich meine Wunde,
Und mit stets erneuter Klage
Traur' ich ums verlorne Glück.
Ach, wer bringt die schönen Tage,
Jene holde Zeit zurück!

(Goethe)

Escrito por A menina do lado às 00h29
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