Vou-me descobrindo uma habitação demasiado frágil...Sem sequer guardar a altivez de anjos caídos.
Como é altivo tudo aquilo que cai. Como é grácil tudo aquilo que possui uma finitude óbvia, que possui uma morte.
Acho que já não sei ser senda. Talvez eu seja algum junquilho retorcido, desses de todas as beiras, desencaminhado por escolha. Bestas, ao esquecimento.
Desses que querem aprender a ser sós.
Mas há este porto que toco, ex-abrigo de ninfas. Ansioso por bordados. Amante do relento, e que acha o frio uma já suave cobertura. O cetim amantíssimo do frio.
Feio as aves que se esbatem em vidros. Vi já algumas vezes um tal espetáculo. Vi-as, com pupilas enormes de um embevecimento.
E quero me esconder na noite. Quero imenso. E a noite, e tudo o que ela traveste, continuar a ferir como um punhal.
Quiçá haja consolo nas tristes magnólias. Breves. Vita brevis. Belas e breves. Belas e breves.
Sinto ser descortês toda essa expurgação tolaz. A tola menina bovarista amante de papéis fragrantes. A menina ainda em frescor.
A que odeia a banalização da palavra "catarse". E que, caso pudesse, só escreveria em letras vermelhas. Para lembrar da pungência do seu sangue, e que seus amparos são abismos.
E, desde o princípio, como são amáveis quanto funestas as coisas que caem, como se daí se explicasse toda a devoção ao dó.
Oh, beijos nos pés dos que me enchem de dó. Beijos no meu ar dolente, nos meus joelhos dados, dados...Jogados.
beijos no desespero de minhas mãos que percuram, cegamente.
Beijo a minha dor.