Vexando-me


27/11/2006


Vazio
Está vazio cá, amor silente
É mutilado o corpo
A alma sangrada
Levo as mãos às marcas da carne
Estrias de dor e cansaço
Veias maculadas
Como densos rios
A nenhum caminho
Estão fechadas as janelas
e desolados meus porões
A lua, a lua há pouco fitava
quieta
meu recolhimento
Dava de mãos com a minha solidão
Como eu, finita, dada ao esquecimento
A lua a olhar a coisa não olhada
É morosa
a trilha da morte
E busco nas minhas sendas
ultrajadas de destino
Um pouco d'amor teu
Um resto de embevicemento
Um quê de marcas de mãos
Amar sempre foi crime
E meus olhos, vítimas do esquecimento
O amor é uma coisa alada
Um sonho numa mala
Mas no vazio, há essa dispersão
A alma evaporada
Sinto a fome do tempo
Enquanto sumo
A dor não acompanha minha mão
E vou-me, desfeita, rarefeita
No abraço do esquecimento

Escrito por A menina do lado às 23h09
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