Vexando-me


08/12/2006


Dit de la Force et de l'Amour

Entre tous mes tourments entre la mort et moi
Entre mon désespoir et la raison de vivre
Il y a l'injustice et ce malheur des hommes
Que je ne peux admettre il y a ma colère

Il y a les maquis couleur de sang d'Espagne
Il y a les maquis couleur du ciel de Grèce
Le pain le sang le ciel et le droit à l'espoir
Pour tous les innocents qui haïssent le mal

La lumière toujours est tout près de s'éteindre
La vie toujours s'apprête à devenir fumier
Mais le printemps renaît qui n'en a pas fini
Un bourgeon sort du noir et la chaleur s'installe

Et la chaleur aura raison des égoïstes
Leurs sens atrophiés n'y résisteront pas
J'entends le feu parler en riant de tiédeur
J'entends un homme dire qu'il n'a pas souffert

Toi qui fus de ma chair la conscience sensible
Toi que j'aime à jamais toi qui m'as inventé
Tu ne supportais pas l'oppression ni l'injure
Tu chantais en rêvant le bonheur sur la terre
Tu rêvais d'être libre et je te continue.

Paul Éluard (1895-1952

Escrito por A menina do lado às 05h02
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    Amor e seu tempo

Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.

Carlos Drummond de Andrade

(Mas o amor, o amor me deixa...)

Escrito por A menina do lado às 04h58
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Afinal, Todo Anjo é Terrível

(...)"Pois o Belo nada mais é
do que o começo do Terrível que ainda suportamos ;
e o admiramos porque , sereno, desdenha
destruir-nos.Todo anjo é terrível." (...)
"Todo anjo é terrível. Mesmo assim - ai de mim -
vos invoco, pássaros quase fatais da alma
sabendo quem sois."(...)
"E qual o não é o susto da criatura que deve voar
e quem a sua origem num colo."
Rainer Maria Rilke, trechos das Elegias de Duíno,

Escrito por A menina do lado às 04h55
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Tocar o que resta dos deuses. Choram os deuses. Os deuses choram. É frágil a força. Esvai-se o divino. Definha o deus que une todas as coisas. Murcha-se, sobremodo, sendo. A amável brevidade da pedra de sal ao mar.

A manhã  é melancólica como um Deus combalido. Mas a manhã sempre vem, infatigável, enquanto não é vencida a ritmada respiração.

Sinto o divino do corpo: frágil e nu. Espostejado. Finito. Sequioso.

É seivoso o vinho interior. Quase esvaecido. Corre, dentro de mim.

Basto-me.

Basto-me, dolorosamente. O sol vive e morre cá dentro. Oiço meu ser. Ele canta. Vem de meu sangue.

Cá, abraço meus joelhos, a ouvir minha música. E respirar, lenta, d’aceitação.

Escrito por A menina do lado às 04h51
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Nem os olhos sabem que dizer
a esta rosa da alegria,
aberta nas minhas mãos
ou nos cabelos do dia.

O que sonhei é só água,
água só, roxa de frio.
Nenhuma rosa cabe nesta mágoa.
Dai-me a sombra de um navio.
(Eugénio de Andrade)

Escrito por A menina do lado às 04h40
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Das cenas cinematográficas

Penso que todos os dias faço questão de vivenciar de cenas cinematográficas.

Hoje eu e meus joelhos fizemos bem na fita. E meus "grandes olhos negros", como dizem, mudando de cor na repetição do mar.

Escrito por A menina do lado às 04h37
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Do amor ao impossível

É mister o amor ao impossível. Mas tam feio banalizar o belo, quando ele se torna possível.

Seres que jamais enaltecem o possível, não poderão ser belos.

Escrito por A menina do lado às 04h36
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Dos fogos passageiros

Um verso d'amor só é nobre quando enaltece amores verdadeiros.Para alentar as empolgações comezinhas, são um acinte, uma lhéria. Nada melhor para destruir uma paixão do que versos. A tão afamada banalização da metáfora e do adjectivo.

Escrito por A menina do lado às 04h34
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06/12/2006


Dos frios corações

Foi-se tua ave
Quisera eu saber que eras um pássaro ferido
Pleno de tua cegueira
A cegueira da manhã
E cansado da noite que te embotava
Querias Lume
Vieste
Cheio da tua fome de lume
Louca e irriquieta
Chegaste com um desesperado bater d'asas
Faminto e desesperado
E ardido de luz
Mas a verdade
É que teu ser guardava o entardecer
Tua fome de lume tão cega
Era mera vontade de noite
Cego demais para apreciar a luz
Para aproveitá-la
Levaste tua fome e tua ferida ao chegar da tarde
Foste, ave
A cegueira é o teu norte
Talvez seja o lume que te cegue
Talvez sejas da noite
E tragas noite em vez de lume
A quem, enternecido, te abirga
Tudo o que sei
É que guardas em ti o entardecer
E é triste o entardecer
Põe-se o sol doloroso
Nasce a lua dormente
E tu vais com a tarde
Vai-te, cheio de chagas
E de polutos lilases
Aflita ave
A mostrar tua fome
a quem não te negar casa
A pousar teu desespero
Em quem te abrigue
E depois partir
Com teu coração de marinheiro

Escrito por A menina do lado às 02h37
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