Vexando-me


22/12/2006


Chant d'automne

I

Bientôt nous plongerons dans les froides ténèbres;
Adieu, vive clarté de nos étés trop courts!
J'entends déjà tomber avec des chocs funèbres
Le bois retentissant sur le pavé des cours.

Tout l'hiver va rentrer dans mon être: colère,
Haine, frissons, horreur, labeur dur et forcé,
Et, comme le soleil dans son enfer polaire,
Mon coeur ne sera plus qu'un bloc rouge et glacé.

J'écoute en frémissant chaque bûche qui tombe;
L'échafaud qu'on bâtit n'a pas d'écho plus sourd.
Mon esprit est pareil à la tour qui succombe
Sous les coups du bélier infatigable et lourd.

II me semble, bercé par ce choc monotone,
Qu'on cloue en grande hâte un cercueil quelque part.
Pour qui? - C'était hier l'été; voici l'automne!
Ce bruit mystérieux sonne comme un départ.

II



J'aime de vos longs yeux la lumière verdâtre,
Douce beauté, mais tout aujourd'hui m'est amer,
Et rien, ni votre amour, ni le boudoir, ni l'âtre,
Ne me vaut le soleil rayonnant sur la mer.

Et pourtant aimez-moi, tendre coeur! soyez mère,
Même pour un ingrat, même pour un méchant;
Amante ou soeur, soyez la douceur éphémère
D'un glorieux automne ou d'un soleil couchant.

Courte tâche! La tombe attend - elle est avide!
Ah! laissez-moi, mon front posé sur vos genoux,
Goûter, en regrettant l'été blanc et torride,
De l'arrière-saison le rayon jaune et doux!


Canto de outono

I

Na escuridão logo estaremos mergulhados;
adeus, luz viva do nosso curto verão!
Já ouço bater com o dobre de finados
a lenha que ressoa, jogada no chão.

Todo o inverno vai entrar em mim: odiar,
sofrer, tremer de raiva, trabalhar forçado,
e, tal como o sol no seu inferno polar,
meu coração ficará vermelho e gelado.

Escuto com temor cada tora que cai;
a construção do cadafalso soa igual.
Minha mente parece a torre que se vai
sob os golpes do aríete duro e brutal.

Sinto, ao som que fere os ouvidos meus,
que alguém com muita pressa martela o caixão.
De quem? -- Chegou o outono! Vai-se o verão!
O estranho refrão soa como um adeus.

II

Amo a luz esverdeada dos seus olhos longos,
doce beleza, mas nada vai me agradar;
nem o seu amor, nem a cama, nem os sonhos
valem pra mim o sol brilhando sobre o mar.

Ainda assim, me ame! Seja mãe, ternura,
mesmo para um ingrato, até para um malvado;
amante ou irmã, seja a breve doçura
de um outono ou de um pôr-de-sol afogueado.

Vai ser rápido! A tumba espera contente!
Ah, deixe-me deitar no seu colo adorado
e gozar, com saudade do verão fervente,
um brilho outonal, suave e dourado!

(Belo poema de Baudelaire musicado por Gabriel Fauré)

Escrito por A menina do lado às 19h18
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Caspar David Friedrich

Caspar David Friedrich é o pintor romântico par excellence. E sendo romântico ele pintou... a Lua... o luar... como nenhum outro pintor.

Ainda acho a pintura uma arte menor, embora sempre seja a precursora em todos os movimentos. Mas ele me comove como os lieder de Schubert e Schumann. Pq, enfim, ando essencialmente romântica...:)

Comove-me tb como o romântico Brahms(Ah, sempre discordo de quem o julga neoclássico...que acinte!)

Escrito por A menina do lado às 18h53
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18/12/2006


Sobre candeeiros

 

Tudo o que sei sobre os candeeiros é que tornam a morte menos maçadora

Escrito por A menina do lado às 04h28
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O dia é a vaidade de Deus

Escrito por A menina do lado às 04h26
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Vinha

 

Uvas
Rubras
Brancas
Verdes
Sangue da terra e suor
Cachos de uvas
Tantas vezes
Outro nome para a dor

Frágeis
Expostas
Ridentes
Ao rés do chão
Nas latadas
Rubras
Brancas
Maceradas de geadas e calor
Uvas franjadas de verde
Parras verdes cuja cor
Se mancha de ouro e cansaço
Por Setembro e por amor

Uvas despidas de frio
Engavinhadas na vida
Néctar da nossa mesa
Por lágrimas
E alegrias

Árduos cachos de labor
Sangue da terra lavrada
Seiva da terra exangue
E suor
Tanto suor...

Jorge Castro

Escrito por A menina do lado às 04h24
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Na casa

Só silêncio

Dor, segredo

O frio do inverno

Só minha palidez

E um vulto

Que não se move

Ou me aquece

Contudo.

estremece-me

Na janela

(detrás dela)

Parece o mundo longo

E as flores doem de abandono

Chove

E não me molho

Estou seca

Não há norte

Só há abismos

E trevos de má sorte

Uma tal casa

Fugida de lume

Tocada de pranto

Tomada de vulto

Inerte

Escrito por A menina do lado às 04h20
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Sinto em mim um grande vazio,
Tão grande, do tamanho de Deus.
Nem o Amazonas que é dos rios o rio
Pode enchê-lo com os afluentes seus.

Tento, intento e de novo tento
Sanar esta chaga que me mata.
Quem pode, qual é o portento
Que estanca esta veia ou a ata?

Pode o finito conter o Infinito
Sem ficar louco ou adoecer?
Não pode.Por isso eu grito

Contra esse morrer sem morrer.
Implode o Infinito no finito!
O vazio é Deus no meu ser!

Leonard le boff

Escrito por A menina do lado às 03h30
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A mão no Arado...

Feliz aquele que administra sabiamente
a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias
Podem passar os meses e os anos nunca lhe faltará
Oh! Como é triste envelhecer à porta
entretecer nas mãos um coração tardio
Oh como é triste arriscar em humanos regressos
o equilíbrio azul das extremas manhãs de verão
ao longo do mar transbordante de nós
No demorado adeus da nossa condição
É triste no jardim a solidão do sol
vê-lo desde o rumor e as casas da cidade
até uma vaga promessa de rio
e a pequenina vida que se concede às unhas
Mais triste é termos de nascer e morrer
e haver árvores ao fim da rua

É triste ir na vida como quem
regressa e entrar humildemente por engano pela morte dentro
É triste no Outono concluir
que era o verão a única estação
Passou o solitário vento e não o conhecemos
e não soubemos ir até ao fundo da verdura
como rios que sabem onde encontrar o mar
e com que pontes com que ruas com que gentes com montes conviver
através de palavras de uma água para sempre dita
Mas o mais triste é recordar os gestos de amanhã

Triste é comprar castanhas depois da tourada
entre o fumo e o domingo na tarde de Novembro
e ter como futuro o asfalto e muita gente
e atrás a vida sem nenhuma infância
revendo tudo isto algum tempo depois
A tarde morre pelos dias fora
É muito triste andar por entre Deus ausente

Mas, ó poeta, administra a tristeza sabiamente


Ruy Belo, in "Antologia da Poesia Portuguesa - 2º volume, Moraes ed.

Escrito por A menina do lado às 02h59
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A noite não vem, íncubo não vem....

Ah, minha Fortaleza antiga...Lembro que eras mais viva, mais iluminada...Vivias.

Agora, há esse exercício grave de roer, de roer...Medíocre, a morrer

Escrito por A menina do lado às 02h43
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Sobre sua própria face num espelho - Ezra Pound (trad. Mário Faustino)
Oh face estranha aí no espelho!
Companheiro libertino, sagrado anfitrião,
Oh meu bufão varrido pela dor,
Que responder?Oh vós miríade
Que labutais, brincais, passais,
Zombais, desafiais, vos contrapondo!
Eu?Eu?Eu?
E vós?

Escrito por A menina do lado às 02h42
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Soneto 13, da segunda parte dos Sonetos a Orfeu, Rainer Maria Rilke
 
 
Antecipa-te às despedidas,deixa-as para trás.
Que passem como o inverno que agora finda.
Mas, inverno entre os invernos, há um longo demais,
ao qual, só hibernando, teu coração reside ainda.
Morre por Eurídice;-sob o seu fascínio
ascende e transcende, em pura louvação.
Sê,entre os efêmeros, no reino do declínio,
taça vibrante que se rompe ante a vibração.
Sê, e sabe da condição do não-ser,
infinita causa de teu íntimo poder.
Que ,uma única vez, se fez pleno e verdadeiro.
As reservas cansadas,à mudas surdas-mudas
da natureza absoluta, às somas absurdas,
junta-te em júbilo e destrói o número inteiro.

Escrito por A menina do lado às 02h39
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Dos fins

Quando não há mais Terra do Nunca, mas o tic tac incessante na barriga do crocodilo.

O tempo devora seus filhos.

Restos. De vida. De saudade. São superiores as cousas quando impregnadas de adeus. E é possível, o esquecimento? Abandona-se, de todo? Cruéis covas sem indulgência, feitas de desamparo....

Escrito por A menina do lado às 02h37
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Quisiera hablar contigo

la costa es la más larga
línea de soledad del universo (Pablo Neruda)

Quisiera hablar contigo
mar
y ser tu amiga
reconocerte en mí
desembocar en ti
como esos ríos secretos
que sólo tú conoces
Quisiera compartir
tus aguas entreabiertas
sumergirme en tus brazos
rescatar aquella vocación viajera
en las velas antiguas
en leyendas apenas murmuradas
buscar la isla donde aguarda
el oro de los dioses lejanos
Y sigo prisionera de otra orilla
donde está mi secreto
donde aprendí a nombrarte
sin saber de mareas ni esplendores
donde todo era río con lunas desterradas
Pero quiero decirte
mar
que desde siempre
estuve en tu memoria
que mis antepasados
de estirpe agricultora
fueron modelando
el aire que respirola luz que nos asiste
el zumo de viñedos y olivares
derramados por tierras que tú ciñes
Y vuelvo a llamarte y a nombrarte
trayéndote el sol de mis trigales
y un crucero de estrellas
desde esta línea de palabras
hasta la costa solitaria de mi tierra.

Escrito por A menina do lado às 02h33
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An Ocean Apart
Julie Delpy

Now we are together sitting outside in the sunshine
But soon we'll be apart and soon it'll be night at noon
Now things are fine the clouds are far away up in the sky
But soon I'll be on a plane and soon you'll feel the cold rain

You promised to stay in touch when we're apart
You promised before i left that you'll always love me.
Time goes by, and people cry and everything goes too fast.

Now we are each other enjoying each moment with one another
But soon I'll be miles away and soon the phone will be our only way
Now i'm in your arms feeling pearl love and warm
but soon, i'll be alone and soon your voice'll changes town

You promised we'll never break up over the telephone
You said our love was stronger than an ocean apart
Time goes by and people lie and everything goes too fast.

Let's not fool ourselves in vain this far away trip will give us pain
We'll have to be so strong to keep our love from going wrong
Distance will make us cold even put our love on hold
But soon we'll meet again and soon it'll be bright at noon again

You promised not to loose faith in our love when i'm away
You promised so much to me but now you've left me
We go by and then we lie and all these time we wasted
Time goes by, and people lie and everything goes too fast.

Time went by, and then we died, and everything went too fast.
everything went too fast
everything went too fast
everything went too fast

 

Agora estamos juntos sentados lá fora a luz do sol
Mas em breve estaremos separados e logo será noite ao meio-dia
Agora tudo vai bem as nuvens estão tão distantes no céu
Mas em breve estarei no avião e logo você sentirá a chuva fria

Você prometeu manter contato quando estivéssemos separados
Você prometeu antes de eu ir que pra sempre me amaria
O tempo passa e as pessoas choram e tudo se vai tão rápido.
Agora temos um ao outro aproveitando cada momento
Mas em breve estarei a milhas daqui e logo o telefone será nosso único jeito
Agora estou em seus braços sentindo o precioso e caloroso amor
Mas em breve, estarei sozinha e logo sua voz mudará a cidade

Você prometeu que nunca terminaria pelo telefone
Você disse que o nosso amor era mais forte que um oceano partido
O tempo passa e as pessoas mentem e tudo se vai tão rápido

Não vamos nos enganar em vão, essa longa viagem nos fará sofrer
Temos de ser fortes para manter nosso amor longe de dar errado
A distância nos fará indiferentes mesmo que nosso amor persista
Mas em breve nos encontraremos de novo e logo brilhará ao meio dia

Você prometeu não perder a fé no nosso amor quando eu estivesse longe
Você me prometeu tanto mas agora você me deixou
Nós passamos por isso e então mentimos e todo esse tempo que perdemos
O tempo passa e as pessoas mentem tudo se vai tão rápido.

O tempo se foi, e então nós morremos e tudo foi tão rápido.
Tudo foi tão rápido
Tudo foi tão rápido
Tudo foi tão rápido

Escrito por A menina do lado às 02h08
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17/12/2006


Não chores pequena
É tua a noite
Ela vem
Com mansas mãos de mãe
Deixa-te por elas ser envolvida
E caias, mansa, num tal navio
Os dias te abandonam
E a penúria das horas
Mas não teu coração
Nesta cama desolada
Tu és rainha
Nela deita teu cansaço
E teu assombro
E teus ombros lassos
Põe a dormitar nela o amor
Deixa nela a volúpia
e a virilidade
Deixa na cama
Teus pedaços
E mesmo tua realeza
Dorme
A noite te vela
A lua será o solitário olhar
Também a lua é solidão
Também ela é abandonada
Busca um sonho
Um acalanto
Uma nuvem qualquer
Um querer
Tu sonhando
Hás de sabê-lo
O sonho te beija
O amor te beija
O lume que há-de nascer
Ele também te beija

Escrito por A menina do lado às 04h38
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Procuro-te
Ternura perdida
Sol fugidio
Procuro-te
No corpo dessangrado
Busco-te
No ar irrespirável
Grito
Onde há vida
A espada
Duma morte
Onde estás
Afago de qualquer raiz
Carícia dum som
amado
Já não são azuis os dias
São dum negro nada
Dum acérrimo silêncio
Acre dissabor
O que há de vestir minha boca
E envolver minhas mãos
Chamo-te
Com fome inconsolável
E ardo pelo pão
Já sem chamas
Busco-te nas réstias de luz
E onde fanam as rosas
que debilmente tento reter
enquanto morrem abraças ao meu peito
Busco-te no deserto
onde a solidão devasta
Oh ternura perdida
E renascida de meu coração
Oh sentimento contrafeito
Chamo-te
Enquanto a morte clama

Escrito por A menina do lado às 04h27
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Crepúsculo

É quando um espelho, no quarto,
se enfastia;
Quando a noite se destaca
da cortina;
Quando a carne tem o travo
da saliva,
e a saliva sabe a carne
dissolvida;
Quando a força de vontade
ressuscita;
Quando o pé sobre o sapato
se equilibra...
E quando às sete da tarde
morre o dia
- que dentro de nossas almas
se ilumina,
com luz lívida, a palavra
despedida.
David Mourão-Ferreira

Escrito por A menina do lado às 04h12
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O domingo era uma coisa pequena.
Uma coisa tão pequena
que cabia inteirinha nos teus olhos.
Nas tuas mãos
estavam os montes e os rios
e as nuvens.
Mas as rosas,
as rosas estavam na tua boca.
Eugénio de Andrade

Escrito por A menina do lado às 04h11
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Amarga Navidad

Acaba de una vez de un solo golpe
Por qué quieres matarme poco a poco?
Si va a llegar el día que me abandones
Prefiero corazón que sea ésta noche.
Diciembre me gustó pa' que te vayas
Que sea tu cruel adiós mi navidad
No quiero comenzar el año nuevo
Con éste mísmo amor que me hace tanto mal.
Y ya después que pasen muchas cosas
Que estés arrepentida, que tengas mucho miedo.
Vas a saber que aquello que dejaste
Fue lo que más quisiste pero ya ho hay remedio.
Lila Down

Escrito por A menina do lado às 04h09
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A solidão do arrancar as raízes.

Não há dor maior, nem mais corajosa, do que arrancar, uma a uma, solamente, nossas raízes.

Oh Deus que não há, por vezes farto-me tanto do sol, e dos trajes de passeio.

Mas o pólen, a dança irrefreável do pólen, o coito dos gineceus, é tão subtil...

Escrito por A menina do lado às 03h57
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