Vexando-me


29/12/2006


"Todo discurso confessa"(Antístenes)

*E isso vale para a sofística...;)

Escrito por A menina do lado às 08h38
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Sobre o prazer do texto

Porque é mister o prazer do texto, além do academês e das "tessituras" formais...

"

“(...) Se aceito julgar um texto segundo o prazer, não posso ser levado a dizer: este é bom, aquele é mau. Não há quadro de honra, não há crítica, pois esta implica sempre um objetivo tático, um uso social e muitas vezes uma cobertura imaginária. Não posso dosar, imaginar que o texto seja perfctível, que está pronto a entrar num jogo de predicados normativos: é demasiado isto, não é bastante aquilo; o texto (o mesmo acontece com a voz que canta) só pode me arrancar este juízo, de modo algum adjetivo: é isso! E mais ainda: é isso para mim! Este “para mim” não é nem subjetivo, nem exsistencial, mas nietzschiano (“no fundo, é sempre a mesma questão: O que é que é para mim? “).”

(Roland Barthes)

Escrito por A menina do lado às 08h34
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Les facultés de définir, de déduire, d’induire, sont généralement considérées comme immédiatement données dans la constitution de l’entendement individuel.[...] on ne songeait même pas qu’elles aient pu se former par un pénible assemblage d’éléments empruntés aux sources les plus différentes, les plus étrangères à la logique, et laborieusement organisés.
M.Mauss, De quelques formes primitives de
classification
(1903)

Escrito por A menina do lado às 08h25
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Sobre escrever

Meu alento, meu veneno. Um tal pharmakón(remédio e veneno concomitamente), como descreveu certa feita Derrida.

Essa experiência além de intelectual, física. O pausado derramamento sobre o papel, como se esse fosse páginas do corpo e da ânima que ele carrega.

Escrever ainda é redenção e encontro com a tragédia.  E ainda é uma experiência sumamente pessoal.E solitária. Está alinhada à posse do ser e de sua capacidade de dele se abstrair(Há nessa abstração, na solidão da escrita e no suposto afastamento do escritor o mais profundo elo e denúncia com a escrita. É a encenação da posse de ser).  Escrever é dizer que somos quando nos é possível ser. É exercer a incomunicabilidade e a inevitabilidade da individuação. Repassar o incomunicável de um para o outro, num babelismo que se torna, todavia, comunicação.

E não dizia Wittgenstein que findo o dilema do transpasse da linguagem e sua função, não se findaria a filosofia?

Mas gosto do apelo de sensações que a escrita pode me trazer. O pecaminoso prazer de minha intimidade. E de me ausentar em minha solidão, e bele ver meu egoísmo transbordando. A denúnicia de meus equívocos, a grácil ingenuidade de meu carácter opiniático. Descaminhos. Eros e Thanatos. Desejos.

Escrever como se fosse Deus, esse poder me criar e de descriar. Não só a mim, mas a tudo. Elevação de minha consciência em vagos símbolos sempre redutores, mas tão sumptuosos...

A pausa, o ócio que só procede à escrita...A capcidade de reificar o sentimento, embalsamá-lo, e, sobretudo, reinventá-lo do modo mais sublime ou mais turvo que se puder fazer...Se a escrita trai a memória, que bênção poder mentir sobre a memória, traí-la. A estética nasceu das traições.

A escrita é uma ruptela, uma corrupção sublime da memória, indigna da verdade(quando essa ainda era crível e inequívoca) ,complementar à úrgência frágil e desnuda da fala(phoné), tão reverenciada nos diálogos de Fedro e Sócrates e por toda a antiguidade.

Fico com o que Derrida chamou de encenação e sublimação da escrita, comentando sobre o diálogo entre Fedro e Sócrates. Enaltecendo a "volúpia do canto daaquele que escreve" que para Sócrates, o orador, era a "menoridade da verdade", a "perdição", a "ilusão".

"Escrever é retirar-se. Não para sua tenda para escrever, mas da sua própria escritura. Cair longe da sua linguagem, emancipá-la, deixá-la caminhar sozinha e desmunida. Abandonar a palavra. Ser poeta é saber abandonar a palavra. Deixá-la falar sozinha o que ela só pode fazer escrevendo.(Como diz Fedro, o escrito, privado da assistência do seu pai "vai sozinho", cego, "rolar para a direita e a esquerda" "indiferentemente junto daqueles que o entendem e junto daqueles que não se interessam por ele". (Derrida)

Se a escrita em Fedro é parricida, matando o pai  vero da fala,  ela é filha criadora, redentora, no parto das palavras recriadas, na solidão do escritor. Na ausência do escritor. Escrever é solidão.

Enalteçamos o poder  sublimações. E bebamos da pharmakón, essa cura, esse veneno.

Escrito por A menina do lado às 07h31
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Dos "amores"

A.Delon:
C'est étrange,
je n'sais pas ce qui m'arrive ce soir,
Je te regarde comme pour la première fois.
Dalida:
Encore des mots toujours des mots
les mêmes mots
Je n'sais plus comment te dire,
Rien que des mots
Mais tu es cette belle histoire d'amour...
que je ne cesserai jamais de lire.
Des mots faciles des mots fragiles
C'était trop beau
Tu es d'hier et de demain
Bien trop beau
De toujours ma seule vérité.
Mais c'est fini le temps des rêves
Les souvenirs se fanent aussi
quand on les oublie
Tu es comme le vent qui fait chanter les violons
et emporte au loin le parfum des roses.
Caramels, bonbons et chocolats
Par moments, je ne te comprends pas.
Merci, pas pour moi
Mais tu peux bien les offrir à une autre
qui aime le vent et le parfum des roses
Moi, les mots tendres enrobés de douceur
se posent sur ma bouche mais jamais sur mon cœur
Une parole encore.
Parole, parole, parole
Ecoute-moi.
Parole, parole, parole
Je t'en prie.
Parole, parole, parole
Je te jure.
Parole, parole, parole, parole, parole
encore des paroles que tu sèmes au vent
Voilà mon destin te parler....
te parler comme la première fois.
Encore des mots toujours des mots
les mêmes mots

Comme j'aimerais que tu me comprennes.
Rien que des mots
Que tu m'écoutes au moins une fois.
Des mots magiques des mots tactiques
qui sonnent faux
Tu es mon rêve défendu.
Oui, tellement faux
Mon seul tourment et mon unique espérance.
Rien ne t'arrête quand tu commences
Si tu savais comme j'ai envie
d'un peu de silence
Tu es pour moi la seule musique...
qui fit danser les étoiles sur les dunes
Caramels, bonbons et chocolats
Si tu n'existais pas déjà je t'inventerais.
Merci, pas pour moi
Mais tu peux bien les offrir à une autre
qui aime les étoiles sur les dunes
Moi, les mots tendres enrobés de douceur
se posent sur ma bouche mais jamais sur mon cœur
Encore un mot juste une parole
Parole, parole, parole
Ecoute-moi.
Parole, parole, parole
Je t'en prie.
Parole, parole, parole
Je te jure.
Parole, parole, parole, parole, parole
encore des paroles que tu sèmes au vent
Que tu es belle !
Parole, parole, parole
Que tu est belle !
Parole, parole, parole
Que tu es belle !
Parole, parole, parole
Que tu es belle !
Parole, parole, parole, parole, parole
encore des paroles que tu sèmes au vent

Escrito por A menina do lado às 03h22
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O Sonho de um curioso

A Felix Nadar

Conheces como eu a dor deliciosa?
De ti fazes dizer: "Oh! Homem singular!"?
-- Eu ia morrer. Era, na alma amorosa,
Desejo e horror, um mal particular;

Angústia e esperança, sem veia facciosa.
Mais eu sentia a hora fatal escoar,
Era a tortura mais amarga e saborosa;
Meu coração deixava o mundo familiar,

Menino no teatro, tomado de anseio,
Com ódio da cortina, ódio do bloqueio...
Mas a verdade fria se mostrou enfim:

Eu morrera sem susto e já me rodeava
A terrível aurora. -- Então é assim?
O pano estava erguido e eu ainda esperava.


Le Rêve d'un curieux

À Félix Nadar

Connais-tu, comme moi, la douleur savoureuse,
Et de toi fais-tu dire: "Oh! l'homme singulier!"
-- J'allais mourir. C'était dans mon âme amoureuse,
Désir mêlé d'horreur, un mal particulier;

Angoisse et vif espoir, sans humeur factieuse.
Plus allait se vidant le fatal sablier,
Plus ma torture était âpre et délicieuse;
Tout mon coeur s'arrachait au monde familier.

J'étais comme l'enfant avide du spectacle,
Haïssant le rideau comme on hait un obstacle ...
Enfin la vérité froide se révéla:

J'étais mort sans surprise, et la terrible aurore
M'enveloppait. -- Eh quoi! n'est-ce donc que cela?
La toile était levée et j'attendais encore.

(Charles Baudelaire)

Escrito por A menina do lado às 03h11
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