"Na vida, não é o quanto você consegue bater que te faz forte, mas o quanto você consegue apanhar e seguir em frente."
(Rocky Balboa)![]()
"Na vida, não é o quanto você consegue bater que te faz forte, mas o quanto você consegue apanhar e seguir em frente."
(Rocky Balboa)![]()

Codornas com pétalas de rosas
ingredientes:
modo de preparar
Cando penso que te fuches,
negra sombra que me asombras,
ó pé dos meus cabezales
tornas facéndome mofa.
Cando maxino que es ida,
no mesmo sol te me amostras,
i eres a estrela que brila,
i eres o vento que zoa.
Si cantan, es ti que cantas,
si choran, es ti que choras,
i es o marmurio do río
i es a noite i es a aurora.
En todo estás e ti es todo,
pra min i en min mesma moras,
nin me abandonarás nunca,
sombra que sempre me asombras.
Este poema, "Negra Sombra" , converteuse nunha das máis emblemáticas cancións da música galega, porque o músico , Xoán Montés Capón (Lugo 1840-1899)
Considérase un dos cantos máis fermosos e elementais de Galicia, e as súas letras fúndense co trazo melódico de modo que xa non se conciben separadamente.
Luz Casal a canta divamente.
Cuando pienso que te fuiste,
negra sombra que me asombras,
a los pies de mis cabezales,
tornas haciéndome mofa.
Cuando imagino que te has ido,
en el mismo sol te me muestras,
y eres la estrella que brilla,
y eres el viento que zumba.
Si cantan, eres tú que cantas,
si lloran, eres tú que lloras,
y eres el murmullo del río
y eres la noche y eres la aurora.
En todo estás y tú eres todo,
para mí y en m misma moras,
ni me abandonarás nunca,
sombra que siempre me asombras.
(en castelhano)

Hoje cá deixo meu panegírico às gitanas que por vezes m'acusam tanto de me semelhar....
Deixo minha loa, meu preito a seu mundo de incensos, aloés, madeiras resinosas. Donas das réstias dos cultos fálicos, amantes das primeiras deusas da humanidade..Cibele, Semele....Matriarcas da tão amada natureza perecível. Investidas de uma paixão tão carnal, feito sangria, que quando dançam mais parecem Vestais mantendo o fogo sagrado. Belas Vênus de Lascaux, deusas de luxúria....Em danças dionisíacas celebrando sua fertilidade.
É assim que as amo, as gitanas. Com seus guizos nas mãos, seus ramos de azevinho, suas flores nos cabelos e aqueles olhos cheios de estrelas(esses olhos que já viram de tudo...). Feito sibilas romanas e pitonisas gregas.
E que belo é o flamenco, ritmo criado pelos ciganos calons de Toledo. Dança a um só tempo febril e melancólica, na qual se derrama toda a alma gypsie, zíngara, gitana...
É assim que amo essas dançarinas de dor dionisíaca, dançando sua loucura, sua arte, seu mundo onírico, sua libido, sua espera...Dançando enquanto cai a noite e a lua brilha redonda, qual um espelho nos céus.
E elas continuam, com suas beberagens de artemísia, acaraciadas pelo orvalho de tantos lugares, crendo no poder da lua, essa grande sacerdotisa dos céus....
Terra Seca
Federico Garcia Lorca
Terra seca
terra quieta
de noites
imensas.
(Vento na oliveira,
vento na serra.)
Terra
velha
do candil
e da pena.
Terra
das fundas cisternas.
Terra
da morte sem olhos
e as flechas.
(Vento dos caminhos.
Brisa nas alamedas.)
Irmandade
Sou homem: duro pouco
e é enorme a noite.
Porém olho para cima:
as estrelas escrevem.
Sem entender compreendo:
também sou escritura
e neste mesmo instante
alguém me soletra.
Octavio Paz
México (1914-1998)
El juego en que andamos
Si me dieran a elegir, yo elegiría
esta salud de saber que estamos muy enfermos,
esta dicha de andar tan infelices.
Si me dieran a elegir, yo elegiría
esta inocencia de no ser un inocente,
esta pureza en que ando por impuro.
Si me dieran a elegir, yo elegiría
este amor con que odio,
esta esperanza que come panes desesperados.
Aquí pasa, señores,
que me juego la muerte.
de "El juego en que andamos"
Juan GELMAN
La colina de la vida
Casi, casi nada me resulta pasajero
Todo prende de mis sueños
Y se acoplan en mi espalda y así subo
Muy tranquilo la colina de la vida
Nunca me creo en la cima o en la gloria
Eso es un gran fantasma
Creado por generaciones, pasará
Atascado en el umbral de la vida.
La realidad duerme sola en un entierro
Y camina triste por el sueño del mas bueno.
La realidad baila sola en la mentira
Y en un bolsillo tiene amor y alegría.
Un Dios de fantasía, la guerra y la poesía
Tengo de todo para ver y creer
Para obviar o querer
Y muchas veces me encuentro solitario
Llorando en el umbral de la vida
Busco hacer pie en el mundo al revés
Busco algún buen amigo
Para que no me atrapen algún día
Temiendo hallarla muerta a la vida.
León Gieco
O sol, a rosa e o menino
O sol, a rosa e o menino
flores de um dia nasceram.
Os de cada dia são
Sois, flores, meninos novos.
Amanhã não serei eu:
outro será o verdadeiro.
E não serei mais além
de quem queira sua lembrança.
Flor de um dia é a maior
ao pé do mais pequeno.
Flor da luz relâmpago,
e flor do instante o tempo.
Entre as flores te fostes.
Entre as flores fico.
Miguel Hernández
Espanha (1910-1942)
Entre ir e ficar
Entre ir e ficar duvida o dia,
enamorado de sua transparência.
A tarde circular é já baía:
em seu quieto vaivém se mexe o mundo.
Tudo é visível e tudo é efusivo,
tudo está perto e tudo é intocável.
Os papéis, o livro, o copo, o lápis
repousa à sombra de seus nomes.
Bater do tempo que em minha têmpora repete
a mesma teimosa sílaba de sangue.
A luz faz do muro indiferente
um espectral teatro de reflexos.
No centro de um olho me descubro;
não me olha, me olho em seu olhar.
Dissipa-se o instante. Sem me mover,
eu fico e me vou: sou uma pausa
Octavio Paz
México (1914-1998)
Um olhar sur la triste Venise de Charles Aznavour
Ah, essa canção, o Danúbio, esse moscatel que me faz chorar...

Que c'est triste Venise
Au temps des amours mortes
Que c'est triste Venise
Quand on ne s'aime plus
On cherche encore des mots
Mais l'ennui les emporte
On voudrait bien pleurer
Mais on ne le peut plus
Que c'est triste Venise
Lorsque les barcaroles Ne viennent souligner que les silences creux
Et que le coeur se serre
En voyant les gondolles
Abriter le bonheur des couples amoureux
Que c'est triste Venise
Au temps des amours mortes
Que c'est triste Venise
Quand on ne s'aime plus
Les musées, les églises
Ouvrent enfin leurs portes
Inutile beauté
Davant nos yeux déçus
Que c'est triste Venise
Le soir sur la lagune
Quand on cherche une main
Que l'on ne vous tend pas
Et que l'on ironise
Devant le clair de lune
Pour tenter d'oublier
Ce que l'on ne se dit pas
Adieu tous les pigeons
Qui nous ont fait escorte
Adieu Pont des Soupirs
Adieu rêves perdus
C'est trop triste Venise
Au temps des amours mortes
C'est trop triste Venise
Quand on ne s'aime plus
Não pude me furtar a lhes lançar mais uma primor da "musa", de ssa vez arcádica:
Já no roxo oriente branqueando,
As prenhes velas da troiana frota
Entre as vagas azuis do mar dourado
Sobre as asas dos ventos se escondiam.
A misérrima Dido,
Pelos paços reais vaga ululando,
C’os turvos olhos inda em vão procura
O fugitivo Eneias.
Só ermas ruas, só desertas praças
A recente Cartago lhe apresenta;
Com medonho fragor, na praia nua
Fremem de noite as solitárias ondas;
E nas douradas grimpas
Das cúpulas soberbas
Piam nocturnas, agoureiras aves.
Do marmóreo sepulcro
Atónita imagina
Que mil vezes ouviu as frias cinzas
De defunto Siqueu, com débeis vozes,
Suspirando, chamar: – Elisa! Elisa!
D’Orco aos tremendos numens
Sacrifícios prepara;
Mas viu esmorecida
Em torno dos turícremos altares,
Negra escuma ferver nas ricas taças,
E o derramado vinho
Em pélagos de sangue converter-se.
Frenética, delira,
Pálido o rosto lindo
A madeixa subtil desentrançada;
Já com trémulo pé entra sem tino
No ditoso aposento,
Onde do infido amante
Ouviu, enternecida,
Magoados suspiros, brandas queixas.
(Da Cantata de Dido, de Correia Garção)
Por uma trégua que mitigue a nossa dor
Cortejem à quimera os débeis pensamentos.
Ah! Enquanto os litorais e os mares reboantes
Te lavam, onde os ossos te hajam atirado.
Se muito além das procelosas Hébridas,
Onde, quiçá, por sob as ondas envolventes,
Vistas o âmago do lar dos monstros;
Ou se, negado aos nossos úmidos protestos,
Junto a Belério dormes, fabuloso e antigo,
Onde a visão grandiosa do segundo monte
Olha para Namancos, para o forte de balona,
E transportai, delfina, o infortunado jovem.
Não mais choreis, pastores mestos, não choreis,
Pois Lícidas, a quem pranteias, não está morto,
Mesmo tragado pela equórea imensidão.
Assim o astro do dia no seu leito oceânico
Submerge;a fronte lânguda, porém, reergue,
Orna seus raios, e com brilho renovado
Flameja sobre a testa do céu matinal;
Assim, após descer, de novo subiu Lícidas,
Por graça do Que andou por sobre as vagas
Para outros bosques, onde, junto a outros regatos,
Ablui com néctar puro os seus limosos cachos,
Enquanto ouve de núpcias o inefável canto
Lá nos benditos reinos de alegria e amor.
Todos os santos das alturas o entretêm
Em cortejos solenes e harmoniosos coros
Que cantam e, a cantar, se movem na sua glória,
Para sempre enxugando o pranto de seus olhos.
A licidas não mais lamentam os pastores;
Pois tu és doravante o gênio destas praias,
Munificente recompensa e velarás
Por todo o que erra sobre as ondas insidiosas.
Tal o pastor inculto a arroios e carvalhos,
Ao ir-se a manhã quieta e de sandálias cinza;
Tocava as chaves ternas e de variadas flautas,
Com alma ardente a modular a canção dórica.
Porém, o sol pelos outeiros se alongara
E já tombava sobre o golfo ocidentral;
Por fim, erguendo-se, puxou o seu mantio azul:
Amanhã, a outros bosques e a pastagens novas“Ah, quem me arrebatou o filho mais querido”?
Chegou por último e por último se foi,
O piloto do mar da Galiléia;
De dois metais trazia duas chaves grossas
(Abre a de ouro, a de ferro cruelmente fecha),
Falou severo, a sacudir mitrados cachos;
“Eu bem daria, por guardar-te, meu pastor,
Muitos desses que por amor ao ventre,
Vão sorrateiros penetrando no redil!
Pouco se inquietam com qualquer outro cuidado
Senão o de imiscuir-se no festim da tosa,
Para expulsar à força o convidado ilustre.
Oh bocas cegas! Que mal sabem segurar
O seu bordão, ou que aprenderam isso apenas
Do que pertence às artes do fiel pasto!
Que estimam? Que desejam? Estão prontos;
Quando querem, canções insubstanciais e magra
Rangem na flauta aguda de ordinária palha.
À s ovelhas famintas é negado o cibo,
Porém, cheias de vento, inspiram névoas fétidas
E apodrecem por dentro, propagando a peste;
Fora que o lobo atroz , com as secretas patas,
Évora todo dia, e nada se comenta;
Entanto, o engenho, de dois gumes, junto à porta,
Está no ponto de ferir, e só uma vez ferir”.
Retorna, Alefeu, que já está muda a voz terrível
Que intimidou tuas águas; Musa Siciliana,
Retorna a convocar os vales, a que gerem
Florinhas e campânulas de mil matizes.
Baixadas, onde vivem os murmúrios suaves
De sombras, zéfiros, e arroios transbordantes,
E cujo seio ignora a estrela da canícula,
Lançai os singulares copos esmaltados
Que sobre a verde relva bebem doces chuvas,
E, com flores vernais, tingi o chão de púrpura.
Trazei a primavera, que definha a sós,
As moitas de jacinto e o pálido jasmim,
O cravo branco, o maculado amor-perfeito,
A fúlgida violeta,
A rosa almiscarada e a rica madressilva,
A frágil prímula a dobrar-se pensativa,
E toda flor de tristes ornamentos;
Venha ostentar as suas galas o amaranto,
E o narciso encha o cálice de lágrimas,
Para esparzi-las sobre o esquife laureado.
Onde éreis, Nindas, quando o abismo sem remorso Cobriu de vosso amado Lícidas a fronte? Pois nem estáveis a folgar sobre a montanha Onde os famosos druidas, vossos bardos, gazem, Nem sobre o cume penhascoso do alto Mona Nem onde o Deva expande as suas águas mágicas... Mas, ai de mim! Que sonho em vão! “Se ali estivésseis”-que sucederia? Que feza Musa que gerou Orfeu, A própria Musa, pelo filho encantador Que a natureza universal chorou Enquanto a chusma, a levantar a horrenda grita, Torrente abaixo o rosto em sangue despedia Pelo hebro em fuga para o litoral de Lesbos? Ai! De que serve, com cuidados incessantes, Praticar a arte desdenhada do pastor, E unicamente cortejar a musa ingrata? Não seria melhor fazer o que outros soem, Brincar à sombra com Marília. Ou com os nós da cabeleira de Neera? A fama é o estímulo do espírito preclaro (Debilidade extrema de uma nobre alma) Que deixa o gozo, e vive dias laboriosos; Mas, quando à bela recompensa nos lançamos E cremos irromper no súbito esplendor, Vem com a tesoura odiosa a cega fúria, E corta o fio da vida. “O do louvor, jamais”, Exclamou Febo, a me tocar o ouvido trêmulo; “Pois a fama não cresce na mortal argila, Nem jaz no cintilar dos ouropéis Que lhe prestam realce, nem no vão rumor; Vive e se expande no alto, ao puro olhar de Jove, Testemunha perfeita e soberano juiz; Conforme ele decide sobre cada feito, No céu espera o teu quinhão de glória.” Oh tu, fonte Aretusa, e tu, rio cantado, Doce Mincio, que te orna de maviosos juncos, Agora, entanto, segue a minha avena E atentamente escuta o arauto do oceano, Que veio para defender Netuno; Às ondas perguntou e aos ventos traiçoeiros Que dura sorte condenara esse pastor! Cada rajada de asas rudes inquiriu, Quedos flancos de cada promontório sopra; Sua história ignoravam. E traz sua resposta o sábio Éolo: Que nenhum vento se evadira da prisão; O ar estava quedo, e sobre o mar tranqüilo A nereida brincava com suas irmãs. Foi pelo pérfido e fatídico navio, Construído sob o eclipse, e com malditas cordas, Que essa fronte sagrada submergiu no abismo. Depois vem Cam, a passos lentos, venerável, Seu manto hirsuto e seu chapéu de junco ornados De emblemas misteriosos, e por sobre as bordas, Como na flor sanguínea, as marcas da desgraça:
Lícidas
Uma vez mais, loureiros, uma vez ainda
Mirtos sombrios, com vicejantes heras,
Venho os frutos colher-vos, ásperos e verdes,
E com a mão constrangedora e rude
Destruir as vossas folhas antes do ano que sazona.
Amarga depressão e uma íntima tristeza
Compelem-me a turbar o curso da estação:
Pois Lícidas morreu, morreu sem florescer
O jovem Lícidas e não deixou seu par;
Quem não ergue seu canto a Lícidas? Sabia
Também cantar e construir a nobre rima.
Que não flutue afira em ataúde líquido
Olvidado, rolando ao vento abrasador
Sem o tributo de algum pranto melodioso.
Portanto, começai Irmãs da fonte sacra,
Que irrompe sob o trono onde se assenta Júpiter,
Começai e tangei mais forte a lira.
Não quero vãs recusas e desculpas tímidas;
Possa algum dia assim Musa gentil
Favorecer minha urna com propícias falas,
E volte-se, ao passar, o meu poeta,
E implore paz à minha lúgubre mortalha.
Pois nós fomos nutridos sobre o mesmo outeiro,
A mesma grei pascemos, pelos rios, pelos bosques.
Antes que os altos prados despontassem
Nós juntos pastoreávamos, e ouvíamos juntos
Os insetos soarem a opressiva trompa;
Sobre o fresco rocio a ovelha se fartava,
Até que a luminosa estrela verpettina
O canto rústico, entrementes, não cessava,
Acompanhado nas avenas;
Faunos dançavam, pés fendidos, rudes sátiros,
Que não podiam se furtar aos sons alegres;
E Dametas idoso com prazer ouvia.
Mas, ai! Triste mudança, agora tu partiste,
Agora tu partiste, e já não voltarás!
Pastor, os bosques e as desertas grutas,
Intosas, de liames e de timo agreste,
Chorar-te-ão com todos os seus ecos.
Os salgueiros e os verdes tufos de aveleiras
Ninguém mais os verá
Mover as ledas folhas com teus doces cantos.
Lícidas, tão funestas quanto à rosa a praga,
Ou quanto o verme aos cordeirinhos sobre a relva,
Ou a geada às flores, com suas vestes claras
Quando o espinheiro alvar primeiro se abre,
É tua perda para o ouvido do pastor.
Com imenso prazer digitei o belo poema Lícidas, de John Milton, que acho um poeta singular, muito além do barroco ao qual pertenceu(apesar de seus tons clair-obscur que muito lembram os quadros de Rembrandt), mais estava para um poeta da renascença tingindo do puritanismo e decoro que lhe eram exigidos
Lícidas é enfim sua protentosa poesia elegíaca sobre o jovem morto ao mar.
Milton, apesar de célebre reconhecimento, não é o que se pode chamar de cânon protegido. Seu status de cânon é muito controverso. Comumente só críticos modernosos mas com ares vetustos como TS Eliot o elevam. Pound mesmo o destratava pela utilização exagerada de vocábulos de origem latina que supostamente "contaminariam" a língua inglesa.
A despeito de seu afamado puritanismo seus poemas são a culminância do aperfeicoçamento do vernáculo de sua época. Espirituoso, purista. O retrato da afetação contra o ceitil moderno. Leio um tal poema como Lícidas com júbilo e observo o febril comportado em versos de aguda primazia, de sonoridade pomposa. E muito me admira que alguns críticos tenham desdenhado sua melopéia chegando também a acusá-lo de versificação ríspida e sua dicção áspera.
Milton soube se valer dum tradicionalismo reinventado. Não escapoui da apropriação de uma influência advinda de um tronco genealógico-estético comum em que o autor se auto-destrói reconstruindo-se, dialeticamente. Ele é o demiurgo do imperativo artístico da criação que se locupleta da tradição. Um renascentista tradicional pleno de idiossincrasias e não lhe cabe a museologia. Para mim, está sacralizado com toda a justificação estética.