Vexando-me


16/06/2007


Xailes

 

Estes xailes...Estes mantos de varinas,  estes xailes de fadistas ébrias, de damas da noite,  de mães que se arrulham aos filhos, esse xailes de esperas de Penélope, feitos com agulhas de flor e de espinhos. Esses xailes que são como amantes, que são como ninho, que são como o regresso.E que são o único abraço que espero, com que cubro minha cabeça e meu corpo para suportar um sol mui ardente, um sal mui amaro.

Xaile, minha malga de amor. Tessitura de brancas, brancas tormentas, de vermelhos sangues exangues, de azuis de céu de longe. Que trazem em seu tecido o sono das colheitas, as esperas mais amargas. Trazem a sombra de amantes abraços nas esquinas. Traz baloiço de berços. Traz beijos. E dores de terços. E barcos rumando sem endereço.

Esse xaile, minha defesa...Minha capa, minha espada, minha sombra parda, tão parda, minha rosa brava. Meu vulto e meu relento. Um xaile de silêncio. Um xaile de adeus.

Vejo a estes belos xaile...Dum vermelho garrido, dum azul de sonho,coloridos de grous, de veludo e de seda...Feito para acariciar, com matizes d'amor. Mas que são minha luz mortiça.

"Cheia de penas

Cheia de penas me deito

E com mais penas

Com mais penas me levanto

No meu peito

Ja me ficou no meu peito

Este jeito

O jeito de querer tanto



Desespero

Tenho por meu desespero

Dentro de mim

Dentro de mim o castigo

Eu nao te quero

Eu digo que nao te quero

E de noite

De noite sonho contigo



Se considero

Que um dia hei-de morrer

No desespero

Que tenho de te nao ver

Estendo o meu xaile

Estendo o meu xaile no chao

Estendo o meu xaile

E deixo-me adormecer



Se eu soubesse

Se eu soubesse que morrendo

Tu me havias

Tu me havias de chorar

Por uma lagrima

Por uma lagrima tua

Que alegria

Me deixaria matar"

 

(Amália Rodrigues)



Escrito por A menina do lado às 18h47
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15/06/2007


Do tédio do dia

Despetalando um lírio branco num "mal-me-quer, bem-me-quer, mal-me-quer, bem-me-quer"

;)

Escrito por A menina do lado às 15h34
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Dos olhares consciensiosos

De volta à vida acadêmica, rodeada por todos os “tipos” e “subtipos”. Si, eu  os olho de soslaio. Um tanto clinicamente(o tanto quanto meu ar pernóstico e sardônico possa permitir). Vai ver que um tanto risonha, empertigada. Mas é sempre grácil...

Aquela profusão de all stars, os corações “vermelhos” confrangidos, os auspícios álacres da subliteratura, as mocetonas mui fesceninas, d’aros negros no rosto, jogando fumaça aos céus. Veras Louise Brooks. Ou bounas de nouvelle vague. Si, mui grácil. Quanta “cultura”, qta indiferença fleumática pela cultura. Si, mui grácil. Eu os tolero, é-me lícito dizer. E os desdizer...

Gosto quando  rapazolas ensaiam poemas com muito afinco, esses amigos das musas. Não se incomodam de serem maus versejadores e de ostentarem sua linguagem quebradiça, modernosa, às vezes passional. Crêem-se realmente tocados pelas graças e pelo beletrismo, mas acho que até desconhecem o termo “beletrismo”, em sua busca do deuses muita vez emaconhada.

E sua sabença é legitimada, é claro, por toda a corja vigorosa de que se agrupam. A idiotia profusa não se pode conceber como idiotia. E acho mui vigoroso o desprezo que lançam ao lumpenproletariado do pagodão da esquina. Que olhar de avesso e superioridade eles lançam, esses seres vermelhinhos da crítica radical, esses seres tocados pelas musas! Sempre em grupelhos, é claro. Esses “tipos” se fazem em grupo, grupos sumamente diferençados, é craro.

Oh, eles eclipsam o mundo da idiotia. Tam preocupados em se edificar, lendo os crássicos!

O que a embriaguez não lhes faz! Sublime que vem das casas baixas! Tam excitados de poesia!

E são grandes fãs de Joyce, é claro. Que revolta gloriosa injuriar e supliciar a língua! Afinal, são detentores de uma novilíngua...Os que quebrantam tudo...E viva ao delírio romântico desses Rimbauds.

Descabelados, cheios de topete, de estilo...A dor tem de estar à mostra, assim como a revolta, assim como a diferença, assim como a juventude. Assim me rodeiam os pálidos de morte clamando pelo breu em versos  comumente ruins. Essas moças nigro-brancas.Mas logo depois estarão mui ocupados, após os 30, creio, em ornamentos e véus de noiva...Guardiões do pudor. Puras, e puristas

Normalmente os fãs do celebérrimo Machado de Assis já defendem o pudor do afinco, esses “consciensiosos” amantes do clássico e da boa literatura, esses reis e damas do bolor sem sal.

E oh, eu espero de todos esses seres olhares de indulgência, de condescendência, oh juventude “deplomada” culta do século vindouro! Que fessores barbudos deplomados entediados serão! Tias mal-comidas pujantes das línguas, piedade! Oh, Magister!

Si, e continuam em sua mimesi simiesca continuamente, quase histriões, esses paladinos da verdade e da verve!

Oh, wertherianos em desespero, cheios de purpurina! E all star e tinta azul, é claro. Entusiastas do divino! Esses “inauditos”

Que más repetições fazem, que más apropriações. Quando não bocejo, rio... Meninas doridas, pobres tolas bovaristas! Ou mesmo os otimistas simplificadores de todas as cousas...Em discursos laudatórios que me vexam, sine dignitate.

E os olho, assim, tam consciesciosa, eu assim tb, nesse meu bovarismo talvez mais apurado, um pouco mais, ao menos. Um mais retinto. Com mais “leitmotiv”, como disse um amigo.

Escrito por A menina do lado às 15h34
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13/06/2007


Deitando um olhar de Virgem Maria

JE  VOUS SALUE, MARIE, PLEINE DE GRÂCE! LE SEIGNEUR EST AVEC TOI. TU EST BÉNIE ENTRE TOUTES LES FEMMES ET JÉSUS, LE FRUIT DE TES ENTRAILLES, EST BÉNI.SAINTE MARIE, MÈRE DE DIEU, PRIE POUR NOUS, PAUVRES PÉCHEURS, MAINTENANT ET À L'HEURE DE NOTRE MORT. AMEN

Escrito por A menina do lado às 22h03
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