Vexando-me


09/08/2007


hoje eu quero mais do que de costume
me refazer no perfume
despetalar meu ciúme, me distrair
porque sou a mistura de caos e jardim
porque sou amena, porque sou ruim
porque não consigo me olhar no espelho
eu sou espectro e fico vermelho
isso eu sei, é errado, isso é pecado
não permita que eu seja castigado
me perdoa meus apegos e minha falta de auto-estima
eu sou desprotegida porque sou menina
ninguém pode me ver... chorar

vou chorar escondida, quero a máscara mais bonita
quero ganhar a fita, meu diário que o diga
prefiro uma amiga pra me dar os braços,
pra mostrar os passos, pra me dar ardis

quero um sapato alto
e quero pelo menos um espelho mais feliz

 

*Dada pra mim pelo querido Peu, que disse me ver nesses versos. Obrigada pela linda prenda, querido. Espero retribuir. Beijos de candura em tua alma de lira.

Escrito por A menina do lado às 09h41
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08/08/2007


Dos olhos da ragazza

São esses os meus olhos, e as quatro paredes. Mas meus olhos estão assim cheio de estrelas .Neles algo cresce, algo germina, algo tomba devagarinho. Há um vão nos meus olhos, e um castiçal, e uma sombra que dança nas paredes. E meus olhos voam e se enlaçam em céus e se perdem em nuvens e desconhecem descanso. É por isso que digo que não gosto jamais deles fechados. Talvez porque fechados seu abismo seja um segredo muito íntimo, muito duro de ser desnudado.

Mas tu me fizeste a tua maja vestida, mas também tua maja desnuda...

Mas como são frágeis os olhos fechados...

Devem lembrar flores, e devem lembrar ninhos. E devem como ser pedras de sono contra os desatinos. Deevem ser qualquer coisa com a qual não posso lidar, da qual não possa me proteger.

Meus olhos fechados são apenas teus olhos sobre meu ser.

É a vez de teus olhos ferirem.

Prefiro meus olhos atravessando as quatro paredes , com retinas carregadas de infinito.

Prefiro te trazer nas retinas e te guardar em cada olhar.

Gosto que meus olhos voem com medo de altura, no seu pouso incessante e sem descanso. Os olhos são os únicos que jamais pousam com descanso.

Só sabem de berlindas

Só sabem dos lugares que nunca estive. Estão sempre por lá.

Só sabem te procurar...

Escrito por A menina do lado às 12h09
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Da outra espera

Já é outro dia, é meio o dia, cortado por adaga.

Espia, espia a janela. Espero-te. E acho que eu enxergava mais que todos os outros enquanto esperava.
O luto se demora.
Acho que tu às vezes me faz mesmo de fada. Fadas voam.Sininhos têm asas né?

Como a volubilidade nos é aprazível, digo-te, assim como a noite, a espera também nos deforma. Tb nos tinge de seu negro. às vezes mantos negros como esses meus cabelos pesam.

E que ânsia que tu digas que são belos os meus cabelos. Que eles te emoldurem e te toquem e o cubram feito céu, que te envolvam feito seda.

Fiquei lembrando que te mandei de cetim azul e penso se nisso eu não queria te dar o céu, desses bonitos para que possas cantar a todos os passarinhos

Bem que eu queria ser agora uma pomba de destino certo voando nesse cetim azul q eu te daria.

Mira, mira a chuva pequenino, e os estrondos dos raros trovões daqui. Mais parecem trombetas. O que anunciam?
Mira, mira a minha alma visitada de noite, pequenino.
Que nessa lavoura não se colha de agonia.

E agora estou cantarolando as músicas tolas que te mando com uma voz meio dura, meio terna, esse tipo de voz de quem conhece a solidão, mas não a deseja. Voz de quem se deixa cair de vez em quando e smepre se levanta, tonta, tonta.
E acho que de tanto que tu sabes tirar o cansaço das minhas mãos bem que eu nos faria agora um sumo de abacaxi com hortelã

Tira o mármore do dia.
Cada relâmpago nos tinge de lume né?

Escrito por A menina do lado às 10h08
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Les chemins

 

 

Manhãs, céu azul imenso feito mar, parece que queremos pegá-lo, retê-lo, navegá-lo. Tememos e doemos nele ,qual afogados. O céu é um licor curaçao blue.E o sol, o sol é feito imenso olho que não cerra, lançando-se feito dardos, feito sangue apolíneo, conduzindo os estos, dando cor d’oiro às musas.

Ah, caminhar coos galos gemedores nas manhãs, levantando poeira. O céu é o berço dos que fecham os olhos quando se levanta tanta poeira.

Quando não há lugar na terra, há sempre os céus, há sempre o mar.

E os ventos das manhãs, esses que carregam meus beijos e abraçam meu corpo, dão-me frio de ausência e me fazem solidão. Esses que fazem voar meus cabelos e faz viajar mesmo a poeira da terra que nos torna raízes.

Manhã, sempre à revelia da noite.. Gosto de amanhecer e sentir meu rosto banhado de oiro.. É como se viesse da noite de amor no ventre, de abraço de travesseiro, mas fizesse partos ao amanhecer. É o parto do prolongamento da amor.

Acho que à noite nós deitamos, e de dia, voamos.

O dia é das pombas com que brinco, é dos bouquets de flores vagabundas que junto. A noite é dos ciprestes, é dos juncos, é da relva.

Quando a vida é capaz de nos sorrir, a noite é a convalescença, o dia é a cura.

Às vezes o dia deve ser de véus brancos, de lírios brancos, de copos de leite. À noite é de véu negro, de boca de sangue, de olhos dolentes.

Escrito por A menina do lado às 09h47
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