Vexando-me


18/11/2007


Podemos suportar os verões enclausurados?

Acredito que seja época da extravagância.

A vida deve ser perigo. Deve queimar.

Escrito por A menina do lado às 19h47
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Que profusão de vida no fim do dia. Sintam, a veemência do alcatrão. A violeta tombando, empalidecendo. Um cheiro de túmulo já. Sintam, o lavor, a sobriedade dos homens depois do banho. O pinheiro cortado, resinoso. Os primeiros sons da noite, nos carros alarmados.

A umidade dos cabelos da irmã. Os bordados da seda do seu vestido, se desfazendo.

Nossa umidade, tão intensamente.A luz artificial clareia tanto que mais parece a complementação do dia.

Uma lamparina pode ser um fogo de artifício.

E os ramos das árvores baloiçam tão comedidos, tão harmoniosos que me espanto.

Que noite morna. Que mansa impressão.

Não é de se chorar às vezes com tal abdundância? Não é de se entender todos os tolazes contempladores às vezes?

As pobres mãos pousadas dos pensantes.

Não é de se imprecar, em momentos assim, que nada se perca?

Não há nisso a paz de sabermos que vivemos sem nada compreender porque tudo se põe assim, tão manso, tão a mão, e tão incomprensível?

Escrito por A menina do lado às 19h46
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O dia, o dia começando madrepérola. O dia de paisagem mesma, de ritmo mesmo. O dia da experiência, do aprendiz. O dia em que alcançamos qualquer coisa enquanto outra se perde.

Os dias, os dias, os dias.

Eles passam.

Os dias nos põem em perigo. E nos fazem bocejar.

O dia nos dedos cansados do trabalho. O dia que passa enquanto tocamos a conta de um rosário.

Os breves dias de orquídea, que não se importam em verter tanta cor. Tampouco se queixam.

Os dias com prece para que outros dias venham.

Os dias que invocamos, que evocamos.

Os dias com os olhos lívidos por testemunha.

O dia nascendo, o dia se pondo. O dia em seu trabalho comunal, e tão inalcançável.

O dia que, não adianta eu desdenha-lo, maldize-lo: ele passa. O dia que ansiei tanto e que acabará.

E nisso o solo está por vezes tão amargo, tão maduro.

Às vezes os dias me tocam tanto...

L’ombre, l’ardeur.

O dia cheio de “insolence”

Os dias tão solenes.

O dia trazendo perfume de verão.

Sinto-lhe o calor. Acho que ele me enlouquece um pouco.

O dia ardendo para que eu não o esqueça.

Escrito por A menina do lado às 19h37
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