Vexando-me


05/01/2008


O tempo nos passou.

Passou-se o tempo, de tua boca a minha.

O tempo passou, e os deuses nos tecem.

Como as mãos e as tranças dos vimes. Nos cozendo do barro do corpo, em aperto e afogo

Somos perto

Nasceu-nos o menino. Somos a manjedoura. Ajoelharam-se os reis.

Nós nos trouxemos de mirra.

Ficamos, e o silêncio por ritual. E o corpo, por império. E o gozo, por recompensa.

E o olhar líquido é o elixir que nos retêm

Bebendo um ao outro, mansamente

A nudez nos selando

Nos pertencemos

Escrito por A menina do lado às 19h37
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A carne é a rainha impiedosa. Tão forte, tão fremente, que nos faz medo.

É ela, que fica. Que permanece.

Buscamos tanto de nuvens, essa paisagens a correr desenfreadas, mas é só ela que temos.A carne.

E com elas nos deformamos, compulsivamente. Dela não nos poderemos salvar;

A única forma, a única flama dançante.

Só com ela imprecamos, só ela podemos ofertar. Só ela nos abandonará

E sua morte valerá mais do que todos os dias de nossa vida.

Só ela nos trairá a memória.

A solidez que se derrama, pungente, em permanente saudade. Fogo fátuo.

E quanto mais bela, essa rainha, mais perdida.

 

Escrito por A menina do lado às 19h27
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01/01/2008


Do querido César

Imensamente grata, meu bem, pelo mimo

Escrito por A menina do lado às 22h15
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''Nasceste quando
o sol vai mais alto,
no que o vento separa
os braços das tardes
e as árvores estalam
o corpo dos galhos
e a seda das folhas
de sede de orvalho
na paisagem sêca.
Nasceste no que
os homens antigos
chamaram o estio.

Mas por doce ironia
ou viração de destino,
teu nome é feito chuva
de se chamar suave,
como num chamamento.
E os teus olhos são países
-dois túmidos fundos países-
: têm rios d'água por dentro.''

Escrito por A menina do lado às 22h13
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