Dizem que a vida é tecelã imprevisível.
Toda hora é ponto de partida. Não importa o quanto eu não suporte o verão.
Toda hora é abandono. Cinicamente. Não importa a temeridade do frio.
As nuvens se encontram, se desencontram. Causam relâmpagos de efeitos vários. E todo choque não dura.
Não importa. Mudam as catedrais e os heróis. Onde estão os heróis e os monumentos dos meus 11 anos?
A Deus ou a Satã ou à nulidade de todas coisas, perde-se um tanto da carne, da alma. Mesmo assim continuam imperiosas e belas de se fazer medo.
E a viagem continua, sem piedade. E sofremos como os danados, pois é o preço de tanto procissão. E a fome permanecerá, sem remédio, em remissão.
Para horas como essa, nada me parece mais válido do que sabedoria canhestra de gente que foi, e de algum modo, permaneceu. Devo seguir a mesma trilha. Sentir a mesma ausência de coisa inominada.
E olhando sempre as vitrinas e as janelas, por que não?
Tão simples, tão abertas. Cheias de promessa e repetição.
Eis o preço irreparável de toda permanência e de toda condição.
E é tão habitual, que não deve doer. Mas sempre dói, e em segredo.





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